Dás-me uma estrela - Parte I


O Dás-me uma Estrela foi a minha primeira história infantil. A ideia surgiu-me aquando da chegada da data de aniversário do meu irmão mais novo, o Pedro (que este ano vai fazer 21 anos a 21 de Julho!).
Quando acabei de a escrever, senti que tinha ali algo de especial... e que não só estaria a dar uma prenda original e única ao meu irmão ("única" por não haver mais nenhuma igualzinha no mundo, não "única" de ser a melhor coisa do mundo!) como estaria a dar-lhe um pouco de céu e de estrelas.
Acabei por nunca lha dar em mãos... ficou em projecto, refundida no meu computador. Hoje tenho vontade de partilhar um bocadinho.
Mano, esta é para ti***



Numa noite cheia de estrelas brilhantes no céu azul, o Pedro e a Ana preparavam-se para ir para a caminha.
A Ana era a irmã mais velha e tinha seis anos, o Pedro, era mais pequenino, e tinha quatro anos.
Os dois dormiam no mesmo quarto, num beliche virado para uma grande janela.
Todas as noites, antes de adormecerem, o Pedro e a Ana tentavam contar todas as estrelas do céu, para verem qual dos dois sabia contar mais pontinhos cintilantes.
Uma noite, enquanto contavam as estrelas, o Pedro diz com a voz desanimada:
-                    Mana, estou farto de contar as estrelas. Todas as pessoas do mundo as podem ver... Achas que podemos ter uma só para nós?
-                    Acho que sim, Pedro! Só temos de chegar lá acima!- disse a Ana a apontar para o céu estrelado.
-                    E até onde é que chega o céu?- Perguntou o Pedro enquanto coçava a cabeça.
-                    Até onde acaba o azul... é lá que estão coladas as estrelas, acho eu...- disse a Ana sem ter certeza absoluta.
-                    Mana, dás-me uma estrela?
-                    Dou, mano. A maior de todas!
Enquanto o Pedro – agora muito sorridente – recomeçava a contar as estrelas, a Ana olhava para o céu à procura da mais bonita e maior de todas, para dar ao irmão...
Enquanto procurava, a Ana de repente apercebeu-se de algo muito estranho: pequenas estrelinhas estavam a voar para o céu, vindas directamente do quintal da casa dela e do seu mano.
-                    Pedro, olha! Estão estrelinhas a sair de trás da casota do nosso cãozinho Feijão!- Disse a Ana a apontar para a casota, que os papás tinham comprado.
A Ana olhou para o mano, mas este já adormecera, com o dedinho na boca.
-                    Vou ver o que se passa ali, mano! E vou trazer-te uma estrelinha cintilante!- Sussurrou a Ana no ouvido do Pedro, que dormia descansado.
Dito isto, a Ana saltou da cama e correu para o quintal sem que os papás a ouvissem.
Ao chegar atrás da casota do cãozinho Feijão, a Ana ficou muito espantada com o que estava a acontecer: o cãozinho Feijão estava a dormir descansado, sem notar que uma menina muito pequenina dançava no seu nariz, e que ao dançar, saíam estrelinhas cintilantes do seu cabelo.
-                    Quem és tu?- Perguntou a Ana com cuidado, para não assustar a menina, nem acordar o cãozinho Feijão.
-                    Sou uma fadinha mágica!- disse a menina pequenina que mandava estrelinhas para o céu.
-                    És tu que fazes todas as estrelas?- Perguntou a Ana curiosa.
-                    Não, não sou só eu... tenho muitas irmãs que também o fazem.
-                    Fadinha, podias dar-me uma estrela? Não é para mim, é para o meu mano Pedro... eu gostava muito de o fazer feliz.- Pediu a Ana, na esperança de que fosse assim tão fácil conseguir uma estrelinha.
-                    Não! – disse a fadinha – Eu não te posso dar nenhuma estrela sem a autorização da minha mãe.
-                    E quem é a tua mãe?- perguntou a Ana – Posso falar com ela?
-                    A minha mãe é a Lua, e ela está tão alta, tão alta que não te ouve... Tens de ir lá acima pedir-lhe a estrelinha, se a quiseres mesmo.
-                    Mas... ela está muito longe...- disse a Ana com a voz desanimada.- Como é que falo com ela?
-                    Ora, isso é fácil!- disse a fadinha num salto- Pedes ao teu cãozinho Feijão. Ele vem comigo muitas vezes!
-                    O meu cãozinho vai à Lua?- Perguntou a Ana, agora muito confusa.
-                    Muitas vezes!- disse a fadinha.- Vá, basta acordá-lo e pedir-lhe. Depois, saltas para as costas dele, e ele leva-te à minha mãe, a Dona Lua.
A Ana sentia-se mesmo muito confusa, e muito curiosa. Sem hesitar, aproximou-se do cãozinho Feijão, e sussurrou-lhe ao  ouvido:
-                    Feijão, levas-me à Dona Lua?
O cãozinho Feijão, outrora pequenino e atarracado acenou afirmativamente e começou a crescer e a crescer, até ficar do tamanho da Ana, que logo lhe trepou para as costas, e preparou-se para voar.
-                    Agarra-te bem!- disse a fadinha, que se sentou na cabeça do cãozinho Feijão.
Os três levantaram voo muito depressa!
A Ana, ao olhar para trás, ainda conseguiu vislumbrar o mano Pedro a dormir na caminha, ao pé da janela. Logo a seguir, subiu tão alto que já nem via a sua casinha com clareza, mas sim muitas luzes cintilantes lá em baixo. Parecia agora que nem só no céu se viam as estrelinhas, mas que também lá em baixo, na terra as havia.
Ao olhar para a frente, a Ana ficou maravilhada com os pontinhos cintilantes que olhavam para ela.
As estrelas faziam uma espécie de estrada que os levava até à Dona Lua, que brilhava ao longe.
Quando chegaram bem pertinho da Dona Lua, esta acordou, e falou:
-                    Olá! Eu sou a Dona Lua! O que querem vocês de mim?
Sem sentir medo, ou vergonha, a Ana respondeu:
-                    Dona Lua, eu sou a Ana, e gostaria de levar uma estrelinha para o meu mano... quero muito fazê-lo feliz, e sentir-se especial.
-                    Uma estrelinha não é algo fácil de levar, Ana.- disse a Dona Lua com um sorriso.- Se quiseres mesmo uma das minhas estrelinhas do céu, terás de superar duas tarefas.
-                    E que tarefas são? Perguntou a Ana.
-                    Como primeira tarefa, terás de me ir buscar uma caneta mágica!
-                    Caneta mágica?- perguntou a Ana muito curiosa.
-                    É uma caneta que escreve no céu azul. Foi o Sr. Sol quem ma deu, mas como não tenho mãos, deixei-a cair lá em baixo no mar.- Disse a Dona Lua, agora com uma expressão triste.- Se me trouxeres a caneta, dou-te a segunda tarefa.
-                    E como é que eu vou ao mar?- perguntou a Ana preocupada- eu nem sei nadar!
-                    A fadinha mágica e o Feijão ajudam-te, basta pedires.- disse a Dona Lua.- Agora vai, que eu tenho soninho, e preciso de dormir.
O cãozinho Feijão, que ainda estava a segurar a Ana e a Fadinha, começa a descer em direcção à Terra. Ao chegar à borda da água, deita-se no chão a descansar.
-                    A partir daqui vamos só nós as duas, Ana.- Disse a fadinha- O cãozinho Feijão vai ficar aqui à nossa espera até voltarmos para nos levar de volta à Dona Lua.
-                    Está bem! - Disse a Ana- Até logo, Feijão!
-                    Ui! A água está tão fffff-rrrr-iiiiaaaa....- disse a fadinha a tremer.
-                    O que é que fazemos agora, fadinha? – Perguntou a Ana preocupada por não saber nadar.
-                    Não te preocupes, Ana... fica bem quietinha que eu trato desta parte. – Disse a fadinha que começou a girar à volta da Ana com muita rapidez.
A fadinha girou tão rápido, tão rápido que criou uma bolinha de pó cintilante em redor da Ana.
-                    Pronto! Com isto podes respirar dentro de água e andar à vontade sem sequer te molhares. Mas tem cuidado... – Alertou a fadinha – o pó vai-se gastando, e só tens uma hora para encontrar a caneta mágica...


Por hoje é tudo.... boas histórias!



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