Memórias renovadas em roupas velhas*


O dia de hoje passou a correr e mal tive tempo para vir ao blogue.
De vez em quando espreito a pasta das estatísticas e é com grande alegria que vejo que muitas vezes passo as 100 visualizações por dia. É bom saber que não escrevemos para o vazio… e que há alguém desse lado, que se importa com o que se escreve deste.
O meu post de hoje não é o mais feliz. Ou melhor… até pode ser, dependendo do ponto de vista.
Este foi daqueles dias em que chegamos a casa e sentimos que crescemos mais uns centímetros de juízo e de consciência: Fui jantar a casa do meu avô, e chegou o dia que eu mais andei a evitar. O dia em que tive de olhar para o armário e escolher roupas da minha avó para mim, porque o resto vai ser dado.
A minha tia Dininha, por sorte, fez o mais complicado, e sobraram-me apenas dois sacos para espreitar. As coisas ainda tinham o cheiro da minha avó. Toda a casa tem o cheiro dela, na verdade. Sei que já não é a primeira vez que falo dela neste bloque, e nem sei se alguma destas coisas vos faz sentido… Mas perdi a minha melhor amiga em Fevereiro, e não passa um dia sem que me lembre dela.
Hoje acabei por escolher coisas que sei que nem vou usar… mas só o toque e as recordações que me trazem algumas roupas fazem-me sentir que tenho mais um bocadinho dela, nem que seja só por breves momentos.
Nunca na vida imaginei que herdaria o casaco cinzento, com que brinquei tantas vezes em miúda, quando calçava os sapatos de salto alto dela e fingia que era crescida, cheia de colares e pulseiras. Hoje olho para ele, e vejo que não envelheceu nem um bocadinho.
O vestido cinzento… foi usado pela minha avó no casamento dos meus tios. Nunca a vi com ele vestido a não ser em fotografias... mas o corpo dela esteve ali dentro, e ela riu e sorriu dentro dele.
Trouxe coisas que sei que hei de usar, como os gorros giros, ou o vestido vermelho "made in Portugal". Mas no geral, não passam de roupas, e eu nunca mais terei uma avó na vida.
Bem vos avisei que este não era o post mais feliz… mas no entanto, tento ver as coisas pelo lado positivo! Ainda bem que a conheci, ainda bem que tive o privilégio de ter tido uma avó tão jovem e que me compreendia tão bem.
As roupas estão usadas de memórias boas, e eu tenho agora essas memórias no meu armário, junto à cama, junto a mim.

Bons sonhos!*
PLIM*!

1 comentário:

  1. Speechless! Apenas uma saudade atroz...
    Vcs são lindas, por dentro e por fora. Que bom...

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