Pedro e os sonhos que cheiram a bolos *PARTE III*

Tal como prometido, aqui está a terceira parte do meu mais recente conto!
Para quem ainda não leu a primeira parte, pode sempre clicar aqui...
E aqui para a segunda! Depois, basta clicar no quadro que diz "próxima" para chegar ao terceiro capítulo.
Boas histórias, e até amanhã!



Parte III

-       Alguém sabe porque é que o Basílio está tão atrasado? – perguntou a professora, na aula.
-       Não. – Disseram os alunos ao mesmo tempo.
Só o António, é que muito baixinho suspirou e estremeceu. A Luisa começou a achar aquilo mesmo muito estranho, e comentou com o Pedro:
-       Não achas que o António está estranho desde ontem? Já a brincarmos estava muito esquisito, e não se divertiu como nas outras vezes!
-       Eu não notei nada – disse o Pedro a encolher os ombros. Voltou-se para o António e perguntou:
-       António, estás bem, amigo?
-       Sim, está tudo bem. Não percebo porque é que o Basílio está a chegar tarde à escola. – disse o António.
-       Então, secalhar deixou-se dormir! – Disse a Luisa. – Eles sempre nos disse que a mamã dele não o acorda. Que tem de ser sempre ele com um despertador! Coitadinho… É tão bom acordar com beijinhos… não sei como seria se a minha mamã não me ajudasse a levantar de manhã.
O António engoliu em seco e voltou a olhar para os livros. Neste dia, estavam a aprender a fazer contas, e todos estavam tão concentrados, que ele agradeceu por não lhe fazerem mais perguntas.
O Basílio chegou uma hora atrasado às aulas. Quando a professora perguntou o que se tinha passado, ele olhou para os três amigos, fez um sorriso malandro e disse apenas que se “tinha deixado dormir”.
-       O que é que ele quis dizer com aquilo? – Perguntou o Pedro intrigado.
-       Não sei… mas é muito estranho! – disse a Luisa
-       Não quis dizer nada de especial, deixou-se dormir e pronto! Concentrem-se! – Disse o António muito nervoso.
-       António, tu também andas muito estranho. - Disse a Luisa.
-       Não ando nada… estou a tentar fazer os trabalhos da escola!
A Luisa e o Pedro olharam um para o outro e encolheram os ombros. Talvez o António quisesse mesmo fazer aqueles trabalhos. Melhor seria não o incomodar, no entanto, ele andava mesmo estranho.
Nessa noite, tal como combinado, os amigos decidiram encontrar-se na casa da Dona Lurdes...
-       Olá meus queridos! – Disse a Dona Lurdes contente de os ver de novo.
-       Dona Lurdes, veja só o meu pijama novo! – disse a Luisa a rodopiar com o seu pijama azul bebé.
-       É lindo, minha querida! Quem me dera ter um igual! Que sorte que tu tens!
-       Dona Lurdes, hoje vamos brincar a um monte de coisas novas! – disse o Pedro.
-       Ai sim? Que tipo de brincadeiras é que vão ter hoje? Só para ver se me inspiro convosco a fazer mais bolos!
-       Então… vamos brincar aos super astronautas da galáxia das estrelas de gelo e fogo! – disse o Pedro muito contente.
-       Ui! Que imaginação, Pedro! E a Luisa, que é menina… vai querer brincar a isso? – Perguntou a Dona Lurdes, divertida.
-       Eu vou ser a rainha das estrelas de gelo, Dona Lurdes…
-       Ah! Pronto, assim já percebi… e tu António, o que é que vais ser?
O António a principio encolheu os ombros, mas logo depois, disse que seria o comandante da nave astronauta com um sorriso tímido.
-       Muito bem, António! E acredito que vais pilotar como ninguém! Para terem mais energias, tomem lá cada um um biscoito de baunilha com pedaços acabadinho de sair do forno dos sonhos!
-       Booaaa!!! – Disseram os três, cada um a apanhar o seu biscoito.
Os três amigos lá saíram para o mundo mágico e começaram a criar as suas naves espaciais.
A Luisa criou um vestido maravilhoso, com peixinhos que nadavam dentro dos cubos de gelo, e nenúfares serviam de alças para os ombros. Logo depois, fez o seu trono e a sua nave especial em forma de cubo de gelo.
O António surgiu com uma fatiota de comandante de nave especial, e o Pedro, assim que se preparava para entrar no seu foguetão, desapareceu no ar, como que água, quando evapora.
-       Olha… onde é que ele foi? – Perguntou a Luisa.
-       Não sei! Ainda agora estava aqui! Será que acordou? Porque é que haveria de acordar? – Disse o António, intrigado.
-        Pedrooo!! – Chamou a Luisa.
-       Estás a brincar às escondidas? – gritou o António – Olha que não é a isso que estamos a brincar agora! Aparece!
-       António… não notas que já não está a cheirar a bolos? Ou pelo menos… está a cheirar menos a bolos… - disse a Luisa.
-       É melhor voltarmos para a casa da Dona Lurdes, Luisa… vamos rápido, ver o que se está a passar!
Os dois amigos correram para a casa da Dona Lurdes, e enquanto não chegavam, o mundo mágico ia ficando mais escuro. As suas roupas imaginárias iam desaparecendo, dando lugar aos seus pijamas. Olhando para trás, a nave da Luisa estava a derreter, e o foguetão do António estava a desaparecer em areias movediças.
- Não olhes para trás, Luisa! – Disse o António  - Está a começar um pesadelo!
Assustados, os dois amigos chegaram ofegantes à cozinha da Dona Lurdes. Ao entrarem, saía fumo por todos os lados, e ouviam-se gargalhadas secas do outro lado da cozinha.
-       Dona Lurdes? – Perguntou a Luisa a medo.
-       Basílio! Chegaram os nossos convidados! – Gritou a Dona Sedrul, no seu tom desafinado e histérico.
-       Fujam, queridos! – Guinchou a Dona Lurdes, que estava amarrada a uma cadeira, perto dos fornos.
-       Não vão a lado nenhum estes três… vão ficar aqui a ver os pesadelos a acontecer! – Disse o Basílio, aparecendo atrás dos dois amigos, a esfregar as mãos. – Mas… onde está o Pedro?
-       Ele acordou quando vocês desligaram alguns dos fornos! – Disse a Luisa.
-       Hmmm… menos mal… vai ficar no quarto dele a tentar chegar cá, e não vai conseguir. Hehehehehe… - Disse o Basílio.
-       Amarra-os e vem ajudar-me! – Disse a Dona Sedrul.
-       Posso amarrar só miúdo lingrinhas ao pé da tua irmã gorda? É que já que foi ele quem me ensinou a chegar cá, vou usar a miúda para fabricar pesadelos connosco, e ele vai ficar a ver! – Disse o Basílio, doido de satisfação.
-       O quê? – disse a Dona Lurdes muito espantada.
-       Foi sem querer, Dona Lurdes – dizia o António a chorar enquanto era amarrado ao lado dela – o Basílio encostou-me à parede na escola e obrigou-me a contar!
-       E não nos disseste, querido? – Disse a Dona Lurdes triste.
-       Ele ia-me bater, Dona Lurdes… e disse que ia magoar os meus amigos. Eu tive medo!
-       Devias ter-nos contado na mesma, querido. Tudo teria sido evitado. Nós não o íamos deixar tocar em ti nem em ninguém.
-       Desculpe-me Dona Lurdes! Não fique zangada comigo! Eu tinha medo de nunca mais cá poder entrar no mundo dos sonhos!
-       Chega de conversas! Basílio, trás a rapariga. Vamos lá ver o que é que ela sabe fazer! – Disse a Dona Sedrul, cheia de farinha estragada nas mãos.
-       Não quero! E vocês vão ver só quando o Pedro chegar cá acima! Vai ganhar-vos, e vocês é que vão ter pesadelos! – disse a Luisa zangada.
-       Achas que ele teria a coragem de vir aqui ter de novo, minha queridinha? -  Perguntou a Dona Sedrul.
-       Claro que sim! Ele é nosso amigo e vai querer salvar-nos! – disse a Luisa, confidante.
-       Hahahahaha! Pois então é mesmo a ele que vamos dar o primeiro pesadelo! – disse o Basílio contente – Vamos só esperar que ele adormeça!
-       E vai ser a Luisa a fazer o sonho! – Finalizou a Dona Sedrul, a passar o açúcar azedo para as mãos da menina que chorava.


PLIM*!

PS: Amanhã vou estar na estreia do mais recente musical de Filipe la Féria: o Pinóquio!
Todos os gráficos, desenhos e projecções foram feitos pela Nebula e eu mal posso esperar para ver o resultado final*** Depois conto-vos tudo! (Adoro histórias para os mais novos!)


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