Pedro e os Sonhos que cheiram a bolos - Parte IV

Prometido é devido ;)

Para quem ainda não leu as três primeiras partes:




Parte IV

No quarto, o Pedro acordou em sobressalto. Muito confuso, tentou recordar o que se tinha passado e apercebeu-se de que acordar assim a meio da noite não era uma coisa normal.
Alguma coisa estava errada, e ele ia descobrir o que era. Encostou-se novamente na almofada e fez força para adormecer.
Tudo estava muito confuso, e em vez do habitual cheiro a bolinhos acabados de fazer, estes cheiravam a queimado. Ao longe, embora não conseguisse ver muito bem por entre o fumo, o Pedro conseguia ouvir a Luisa a chorar.
-       Luisa! Onde estás? Eu vou ter contigo! – Gritava o Pedro pela amiga
-       Cuidado, Pedro! É um pesadelo! – Ouvia ele a amiga dizer muito ao fundo.
De repente, um dragão vermelho surge atrás do Pedro. Distraído com o choro da Luisa, ele não reparou até ao momento em que o monstro estava mesmo colado a ele.
-       Atrás de ti, Pedro! – gritou a amiga.
O Pedro virou-se, e com o susto, acordou na cama com um pulo gigante!
-       Hahahahahaha! – riam os dois malvados na cozinha da Dona Lurdes.
-       Isto é melhor que ver filmes na televisão! – Ria o Basílio.
-       Ainda achas que ele vai tentar voltar para vos salvar, minha minhoquinha? – Perguntou a Dona Sedrul à Luisa, que ainda chorava.
-       Sim! E ele agora até vem preparado! Vão ver! – gritou do fundo o António, que ainda estava amarrado à cadeira com a Dona Lurdes.
-       Acho que agora devíamos experimentar um pesadelo ali com o António, não achas, Basílio, querido? – Perguntou a Dona Sedrul.
-       Sim, vamos a isso… não nos leves a mal, Luisa, até te saíste bem, mas o António ainda vai ser mais divertido de ver a fazer pesadelos! Ahahahahahha – disse o Basílio a bom som.
No quarto, em casa, o Pedro ainda estava ofegante com o dragão que a Luisa tinha criado. Ele não queria experimentar um pesadelo assim outra vez, mas tinha mesmo de tentar voltar para salvar os amigos das mãos da Dona Sedrul.
-       É só um sonho mau, Pedro… - dizia ele para consigo próprio – tu também consegues fazer as magias nos pesadelos… daquelas que usas nos sonhos bons. Só não podes deixar o medo vencer. São os teus amigos que estão ali!
Ainda que a medo, o Pedro voltou a encostar-se para trás na almofada e fechou os olhos. Muito calmamente, começou a pensar nos seus amigos e na Dona Lurdes, e em todos os momentos bons que já tinham passado. Lembrou-se das suas brincadeiras na escola e a dormir, lembrou-se dos bolinhos que provavam sempre que iam até à cozinha dos sonhos… lentamente, voltou a adormecer e a sentir o cheiro a bolos queimados. Quando entrou novamente no pesadelo, estava na entrada de um corredor escuro. Na outra ponta, lá ao fundo, ele conseguia vislumbrar a Luisa e a Dona Lurdes amarradas em duas cadeiras, e conseguia ver o malvado Basílio e a Dona Sedrul sorridentes, a obrigar o coitado do António a fabricar um sonho mau.
-       Vou já aí ter, amiguinhos! – gritou o Pedro para o fundo do corredor escuro.
-       Ouviste isto, Basílio? Ele já está de volta! Hahahahaha! – Gritou a Dona Sedrul – Vá, rapaz, mostra-me lá do que és tu capaz, hein?! Ou vais ver a tua amiga Luisa a entrar para dentro de um dos fornos!
-       Não! – gritou o Pedro, metendo o primeiro pé no corredor.
Assim que entrou, uma porta atrás dele fechou-se. Já não dava para voltar atrás. O Pedro encheu-se de coragem, e decidiu que era agora ou nunca. Começou a andar devagar primeiro, e depois mais depressa e mais depressa. De repente, o corredor parecia nunca mais acabar! As paredes começaram a mexer, e transformaram-se num labirinto.
-       Hahahahaha! – Ria a Dona Sedrul bem alto. Ela parecia mesmo uma bruxa...
Do nada, surge à frente do Pedro o seu primeiro desafio: teias de aranhas.
-       Onde há teias, há aranhas… - pensou o Pedro
Dos lados das paredes do labirinto, começaram mesmo a descer aranhas gigantes na direcção dele. Corajoso, deixou que a sua criatividade fluísse, e tirou uma caixinha do bolso do pijama. Assim que abriu a caixinha, milhares de moscas e outros insectos começaram a voar e a saltar. As aranhas, confusas, preferiram os insectos e as moscas ao menino que atravessou as teias até ao outro lado.
-       Ufa, esta foi fácil! – Pensou ele.
Na cozinha, o Basílio estava furioso com o António.
-       Só tens mais uma oportunidade de assustar o Pedro como deve de ser, ouviste, António!? Senão, vais tu também para o forno!
-       Melhor ainda, caro Basílio! – disse a Dona Sedrul ao lembrar-se de algo muito importante. - O sol está quase a nascer! Se o Pedro não chegar a esta cozinha até ao amanhecer, ele nem vai voltar a acordar do mundo dos pesadelos!
-       Nããããoooo!! – Gritaram os dois amigos muito assustados.
Aquilo não podia estar a acontecer ao Pedro! O que seria deles os dois sem o melhor amigo?
O António estava aterrorizado: tinha de fazer um pesadelo poderoso ao Pedro para salvar a Dona Rosa e a Luisa das entranhas do forno, mas ao mesmo tempo, do outro lado estava o seu melhor amigo, que tinha de se safar daquele pesadelo para não ficar preso naquele mundo de sonhos maus para todo o sempre.
O António estava sob tanta pressão, que os seus pensamentos bloquearam. No pesadelo, o Pedro ficou completamente às escuras.
Este não só era o maior medo do Pedro, como ele já conseguia ouvir de longe os sons estranhos de algum monstro a chegar-se à distância.


Beijinhos PLIM*!

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