Quando (não) Comunicamos

Quando (não) Comunicamos
Mini Homónimo

Sei que por vezes não sou a pessoa mais fácil de aturar. Faço birra, tenho pêlo na venta. Não é qualquer um que me aguenta, que suporta os meus devaneios, os meus dias maus, os meus dias tristes (que também os tenho), ou os meus momentos de pura parvoeira.
Na Sexta-feira passada fui de fim-de-semana solteira. Um vazio enorme invadiu-me cá dentro, mas a decisão estava tomada. Estamos sempre melhor sozinhos, e se nos juntamos a alguém, é para estarmos ainda melhor. Chega de chatices ou falta de correspondência. Chega de horários trocados, de falta de tempo e de partilha.
Cheguei a Faro, deixei as minhas coisas à porta de casa, e deitei-me no sofá. Não chorei. Há que tentar ser forte nestas alturas, acho eu. E é sempre pior no dobro da percentagem quando nos despedimos de alguém de quem gostamos com toda a força do coração. 
Talvez seja melhor assim, quando para além do amor existe uma amizade que queremos preservar, mesmo que demore uma eternidade até o período de ressaca acabar.
Precisei de sol. O Sábado estava solarengo e a praia ia dar-me o calor e a energia que precisava.
O telefone deu sinal. Do outro lado recebi uma imagem de um comboio. Não percebi.
Outra mensagem... o desfocado de uma paisagem em andamento. Será que é alguma mensagem que não percebo? Uma mensagem triste que simboliza que "E tudo o vento nos levou"?
"- Saio em que estação?" - Recebi do outro lado... seria mesmo possível? Seria possível que esta pessoa me tivesse seguido, renegado os planos de fim-de-semana, de vida, por mim? Quem sou eu? E será que mereço que corram atrás de mim? Será que a vida de alguém merece ser adiada por minha causa? Com que direito?
Sei que também sou culpada pelas coisas más que nos acontecem, mas não esperei que elas fossem tão pequeninas que merecessem um desfecho de filme de amor.
Corri para a estação. Lá estava ele... sem malas, apenas com a roupa do corpo.
O reencontro foi estranho, mas o abraço foi quente. Pedi desculpas, e ouvi o mesmo do outro lado.
"Nesta casa damos segundas hipóteses"... e desta vez não sou só eu que as dou, somo os dois.
Ambos somos culpados pelos momentos maus, e temos de ser ambos culpados pelos momentos bons.
Hoje estou bem, e estou mais completa de novo.
Esta musica é tua, mas agora também é para ti.
Tu, que correste atrás de mim, e que me conseguiste de volta.*

1 comentário:

  1. Uma verdadeira história de amor.
    Felicidades.
    Luís

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