*Isto é coisa para não voltar a acontecer*


Ontem passei por uma sensação estranha…
Fui ao Bacalhoeiro, para assistir ao lançamento do EP de um amigo meu...
O projecto chama-se "Isto é coisa para não volta a acontecer", e para ele, serviu como terapia para a separação do seu casamento.
Hoje, ele e ela dão-se bem. Continua a ser tudo muito recente, e as emoções estão ao rubro… mas o que me fascinou ontem à noite, foi a forma como me tocaram as palavras das letras de cada música.
Por momentos, senti que naquela sala existiam só eles os dois, e que nós, os restantes espectadores, éramos mais uma coluna, ou fazíamos parte dos sofás. Senti-me confortavelmente invisível, ao contrário dela… que sabe que cada letra é sua, e que o "ainda gosto de ti" que ele proferiu, se referiu aos momentos que passaram a dois. Bons e maus. 
Desejei que o Miguel lá estivesse, para lhe poder dizer que espero nunca ter de fazer nada assim.
Já tinha ouvido o EP na internet, com o meu computador… mas é tudo tão impessoal com o clique no "play".
Ontem vi e ouvi, e sem querer, chorei. Chorei porque não fomos feitos para sofrer. Não falo só por ele, falo também por ela, falo por mim, e por nós, que sofremos com tantos aspectos do dia-a-dia.
 De como no meio de sentimentos confusos, de raiva, de solidão há quem consiga tirar palavras puras, sinceras e honestas, que nos saem tão de nós. Valorizo muito quem se sabe expressar com classe, sem ser mal educado, valorizo quem me toca ao coração com o poder de uma frase, e isso aconteceu-me ontem.
Os que ainda não tinham chorado, não o conseguiram evitar na "Maria da Luz" . Pensei em como eu própria escrevi algumas das frases do "Só de mim", que já tiveram aspectos reais, de mazelas que senti na "pele"… 
Quem me dera que nunca fosse preciso escrever coisas destas. Quem me dera que o sol brilhasse sempre para os nossos lados. Quem me dera que os namoros não terminassem mal, que os casamentos fossem fiéis e sinceros, que as pessoas de quem gostamos não morressem e não se mudassem para o outro lado do mundo. 
Quem me dera que fossemos sempre correspondidos, que não houvesse fome nem guerra… São apenas alguns dos temas que inspiram alguns dos textos mais lindos que conheço, e que não deixo de ter pena que existam, porque são a prova de que a pegar na caneta, daquele lado, há alguém a chorar, e que sofre de tal forma que não consegue guardar o sentimento só para si.
Espero que este EP vos inspire a serem pessoas melhores. Eu sei que a mim, inspirou.
 :)

Amanhã volto com um post mais feliz. Hoje achei que o Filipe merecia as palavras que não tive tempo de lhe dizer ontem à noite.
Sou uma amiga orgulhosa, de quem é forte para transformar o sofrer em arte.


PLIM*

1 comentário:

  1. Confesso que não conhecia o prejeto e fiquei encantada!
    É preciso ser-se muito forte para conseguir escrever o que se sente sem camuflar a dor. Perceber que a pessoa de quem gostamos não vai estar mais ali ou porque não gosta o sufuciente ou por outra razão igualmente dolorosa não é fácil. Aliás, é brutalmente duro.

    Para quem já sentiu isto, "Maria da Luz" arranca sempre uma lágrima porque desenterra o que nós queríamos que nunca tivesse sido enterrado.

    Parabéns pelo blog, sou fã.

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