Pedro e os sonhos que cheiram a bolos - *Capítulo Final!*


Pode não ser a melhor coisa do mundo, mas para mim... é.
Estou tão feliz por ter finalmente acabado esta história, que nem sei descrever bem o que aqui vai dentro.
Espero só que gostem, e que deixem o vosso comentário, feedback, opinião.
Digam-me o que mais gostaram, o que gostariam de ver diferente, se o final é o esperado ou não... se entenderam tudo, ou se algo ficou "estranho". Se as mensagens passam, e se vos modificou alguma coisa cá dentro.
As partes I, II, III e IV estão aqui para os que nunca leram nada deste conto...
Boas histórias! E até já*


Pedro e os sonhos que cheiram a bolos
Último capítulo

Parte V

- É só um pesadelo… é só um pesadelo – dizia o Pedro de olhos fechados, tentando concentrar-se nos sons que vinham ao seu encontro.
- Despacha-te, António! Ou vou morrer de tédio aqui a ver-te inventar este pesadelo? – dizia a Dona Sedrul, ao mesmo tempo que enchia as costas do António de palmadas fortes.
No pesadelo do Pedro, o monstro parou mesmo à sua frente. Ele não o conseguia ver, por causa do escuro, mas conseguia sentir a sua respiração forte, e hálito com cheiro a bolos queimados.
O Pedro fechou então os olhos, levou a mão ao bolso do pijama, e de lá de dentro sacou uma espada. Apontou-a à cara do monstro, sem o ver, e disse “Não tenho medo de ti! Vou salvar os meus amigos das mãos daqueles dois!”. Abriu os olhos lentamente, e à sua frente estava um ser que ele não percebia. Era metade homem metade bicho, com cerca de sete metros de altura. Gordo, gigante, peludo, sem olhos nem nariz, apenas uma grande boca, grandes mãos e grandes pés. A criatura deu um gemido que lhe feriu os ouvidos, e sem avisar, avançou para cima dele.
-       Não magoes o nosso amigo! – gritava a Luisa, que via tudo a acontecer na bancada dos bolos onde estavam o António, a Dona Sedrul e o Basílio.
O pobre do António, chorava enquanto que os outros dois vilões se riam. O monstro tentava repetidamente morder e agarrar o Pedro, que valentemente, mexia a espada como um verdadeiro homem crescido. Do pesadelo, ouviam-se gemidos e gritos angustiantes, tanto do Pedro como do monstro. Na cozinha da Dona Lurdes, ouviam-se os choros da Luisa, os esguichos de satisfação dos mauzões e as palavras e conselhos da irmã mais velha, para que aquilo tudo acabasse imediatamente.
Foi no meio de toda esta confusão, que o António teve uma ideia brilhante que poderia salvar o seu amigo das mãos daquele monstro.
No pesadelo, o Pedro começou a ver o rebordo de uma porta a desenhar-se mesmo no meio da barriga do monstro. Ele não estava a perceber o que estava a acontecer, nem o porquê, mas se o pesadelo estava a ser feito pelo seu melhor amigo, ele decidiu confiar e arriscar. Parou de fugir do monstro, respirou fundo, e em vez de recuar, como estava a fazer até então, decidiu apontar a espada em frente, e começou a correr de encontro à criatura, que sorriu pela primeira e única vez, e se preparou para o comer assim que ele chegasse até ela.
-  Olha Basílio! Ele está todo armado em corajoso! – dizia a Dona Sedrul agarrada à barriga de tanto rir. As coisas estavam tão confusas e as emoções tão ao rubro na cozinha, que nem ela nem o Basílio repararam na porta que estava agora desenhada muito subtilmente na barriga do monstro.
-       Ele vai-te comer! O papão vai-te comer, Pedro! Hahahahahaha! – ria o Basílio.
Foi apenas numa fracção de segundos que tudo aconteceu. 
O Pedro escapou por um triz da boca gigante do monstro, e entrou-lhe pela barriga adentro com a sua espada. A sensação era agora confusa, e o amigo sentia-se a nadar em algo viscoso. De repente, foi cuspido para o outro lado da porta, e foi dar directamente à cozinha da Dona Lurdes.
-       Ele está cá dentro, Basílio! – gritou a Dona Sedrul, histérica – Agarra-o já, Basílio!
O Basílio não queria acreditar no que os seus olhos viam. Soube de imediato que tinha sido traído pelo António, e ainda lhe prometeu vingança antes de partir a correr para agarrar o Pedro que ainda estava tonto da viagem pelo pesadelo.
O António, assim que se viu livre das mãos do Basílio, pegou na panela que tinha mais à mão, e arremessou-a à cabeça da Dona Sedrul que gritava. Foi com um som seco e muito audível, que a irmã má ficou inconsciente, e caiu na bancada.
-       Pedro! Corre para o quintal da Dona Lurdes, Pedro! – gritou a Luisa.
-       Vai, filho! Corre para o meu quintal! – gritou também a Dona Lurdes, que sabia exactamente o que o Pedro valia no mundo dos sonhos. Tantas noites de brincadeira naquele quintal mágico teriam de o ajudar em alguma coisa agora.
O Pedro ainda atordoado, seguiu o conselho das duas, e correu para a rua. Ali sim, estava feliz. Aquele era o seu mundo, e o local que melhor conhecia.
O Basílio correu atrás dele, e fez logo surgir do bolso uma cana de pesca, que içou para apanhar o Pedro pelo pijama. O Pedro rodopiou sobre si, e criou o maior peixe voador do mundo, que apanhou o isco do Basílio, e puxou-o até comer a cana.
O Basílio, furioso, criou um tubarão voador ainda maior do que o peixe, para os comer aos dois, mas o Pedro enfiou-lhe nuvens pelas guelras, e o tubarão transformou-se em algodão doce.
- Rende-te Basílio! Aqui ninguém me ganha! – disse o Pedro, tentanto trazer bom senso ao rapaz reguila.
- Nunca! Vais ver como é que eu te ganho! – gritou o Basílio, tão irritado, que se viam as veias a saltar-lhe na testa.
O Basílio começou a girar, a girar e a girar tão depressa, que criou um furacão de nuvens cor-de-rosa. Mas em vez de o enviar para o Pedro, enviou-o para a casa da Dona Lurdes.
-       Oh não! – gritou o Pedro, antes de se lançar a voar para parar o furacão do Basílio.
- Hahaha! Esta não esperavas, não era, Pedrinho? – gozou o Basílio, enquanto via o furacão a deslocar-se em grande velocidade para a casa onde estavam todos os outros.
O Pedro voou até à casa da Dona Lurdes, parou mesmo em frente a ela e abriu os braços, a criar uma barreira protectora. Concentrou-se ao máximo, e quando o furacão ameaçou chegar, ele conseguiu travá-lo, ainda que a custo. Depois, a ele juntaram-se os dois amigos, o António e a Luisa, e com a sua ajuda, os três enfiaram o furacão numa caixinha de fósforos. Depois, a Luisa e o António esculpiram uma gaiola de nuvens em dois segundos. O Basílio foi preso, e arrastado para a cozinha dos sonhos.
Lá dentro, estava uma Dona Lurdes a despertar a irmã Sedrul de um sonho mau, ainda em cima da bancada.
-       O que é que lhe aconteceu, Dona Lurdes? – perguntou o Pedro, a ver a Sedrul a acordar aos gritos.
-       Olha, querido, ela caiu inconsciente mesmo em cima do pesadelo que o António tinha criado para ti, e enquanto vocês estiveram a brincar lá fora, ela provou do próprio remédio! – disse a Dona Lurdes a tentar acalmar a irmã.
-       Ele era tão grande! E estava tão escuro! E ele era mau, Lurdes! E queria-me comer! Eu fugi e fugi, e chamei por ti, mas tu não vinhas!
- O António foi-me logo soltar a mim e à Luisa enquanto caíste inconsciente, Sedrul. E que tal… gostaste do pesadelo?
-       Achas? Tu achas que eu gostei? Achas que me diverti? Quem é que gosta de pesadelos, ó Lurdes, és capaz de me dizer? – dizia a Dona Sedrul repetidamente à irmã.
-       Hahahaha! – riam os três amigos em uníssono.
-       Sedrul e Basílio, vocês estão a partir de agora castigados para sempre no mundo dos sonhos. – disse a Dona Lurdes, pela primeira vez com um ar zangado. -  O Basílio vai passar a vir lavar pratos todas as noites para a cozinha do mundo dos sonhos, e quanto a ti, Sedrul, vais para o mundo dos acordados, que não conseguem adormecer.
-       Não! Não, Lurdes, oh por favor, não! – chorava a Dona Sedrul – Eu já percebi que é mau fazer pesadelos! Oh Lurdes, foi horrível. Eu agora já percebo o que sentiam as outras pessoas quando eu fazia pesadelos por maldade. É horrível, Lurdes, por favor, ensina-me a fazer o bem. Deve ser tão bom ir dormir sabendo que fizemos sonhos bonitos. Por favor, perdoa-me!
-       O que é que vocês acham, meninos? – perguntou a Dona Lurdes aos três amigos que estavam a observar tudo de longe, enquanto guardavam a gaiola do Basílio.
-       Acho que lhe devia dar uma oportunidade, Dona Lurdes – disse logo a Luisa.
-       E se ela faz porcaria? – perguntou o António.
-       Ela já não vai fazer nada, António! Ela caiu no pesadelo que tu criaste e agora já sabe como é ter sonhos maus! Hihihih... – riu a Luisa.
-       Desculpem por não vos ter contado que o Basílio me tinha ameaçado, amiguinhos. – disse o António por fim, envergonhado.
-       Que te sirva de lição, amigo. Nós estamos aqui para as coisas boas e para as más. – disse o Pedro, que de imediato deu um abraço ao António.
-       Que lindos, os meus meninos! – choramingou a Dona Lurdes. – Olha, Sedrul, a tua sorte, é que eles são bons meninos. Vou ensinar-te a minha arte, mas basta descaíres-te uma vez, Sedrul, e vais para o mundo dos acordados!
-       Prometo, oh, eu prometo, Lurdes! Obrigada! Eu quero fazer o bem. – disse a Sedrul realmente arrependida.
-       Basílio, para o lava-loiças, já. E se te portares bem… vá, deixo-te brincar um pouco lá fora com eles… mas eles é que ditam as regras, e ai de ti se te portas mal! Até o interior dos fornos vais limpar! – disse a Dona Lurdes, cheia de vontade de ensinar ao Basílio que as boas intenções e o bom comportamento trazem momentos de felicidade como recompensa.
-       Oh, eles não vão querer brincar comigo depois do que eu fiz, de certeza. – disse o Basílio em tom mimado.
-       Cabe-te a ti ganhar a confiança deles, Basílio. Ninguém disse que era fácil nem imediato, apenas que vale mesmo a pena. Estamos combinados?
-       Sim… o-o-obrigad… obrigado, Dona Lurdes. E… desculpem, vocês os três.

...

Na manhã seguinte, os três amigos abraçaram-se quando chegaram à escola. Era tão bom saber que tudo tinha corrido bem. Se a Dona Sedrul se tornasse tão boa a fazer sonhos como a irmã mais velha, muitas noites com sorrisos se aproximavam de todas as pessoas que gostavam de dormir muito.
Ao longe, o Basílio estava sozinho, com vergonha de se juntar a eles.
-       Vamos chamá-lo? – perguntou a Luisa…
-       Sim. – disse o Pedro – Basílio, anda, vem ter connosco.
-       Ena, malta, obrigado… - disse o Basílio ainda envergonhado.
-       Podes fazer o trabalho de ciências connosco no grupo, se quiseres, Basílio – disse o António – e depois até lanchas connosco também.
Nessa noite, depois de lavar algumas formas como castigo prometido, o Basílio comeu uma bolacha de chocolate feita pela Dona Sedrul, que estava a começar a perfeiçoar a receita... Agradeceu a gentileza às duas irmãs que sorriam abraçadas, e foi para o quintal mágico, brincar com os três amigos, que já lhe tinham preparado um balão voador, para darem a volta ao mundo.

6 comentários:

  1. Li tudo de uma assentada e .... uau! Até estou meio afogueada! :)
    Acho que esta história só peca por não ser mais comprida! Dava mais tempo de trabalhar melhor a personagem do Basílio, criar-lhe um passado difícil, explicar as suas más intenções (talvez o Pedro o tivesse enfrentado na escola quando ele roubava o lanche de algum menino...?). Também adoraria ver mais descrições das capacidades dos 3 amigos no mundo dos sonhos. Mas adorei, mesmo! :)
    Já imaginava na minha cabeça um cenário do género da Coraline, com aquelas cores garridas, figuras desproporcionais e um lado meio dark... Parabéns, ficou óptima!
    Beijinhos*

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    1. Ena! Maior? A sério? E eu que achei que estava grande demais! Que bom saber disso... teria mesmo dado tempo para tudo o resto que me escreves.
      Depois de pensar em tudo o que li da tua mensagem, acho que tens muita razão... devia ter dado mais a conhecer o Basílio, e talvez até a Sedrul, que é a minha personagem preferida. Ninguém sabe por exemplo que ela foi claramente a renegada e a menos mimada em casa. Que a Lurdes era a filha prodígio, e a menina do papá. Enfim, daqueles casos super típicos.

      Tive medo de fazer a história crescer ao ponto de ficar gigante. Neste momento ocupa 11 ou 12 páginas A4... é a minha maior história para os mais pequenos... até agora nunca tinha passado das 6. Sei que as páginas não deviam contar, mas adoro contar o máximo no menor espaço possível... é um exercício a que me obrigo constantemente (deve ser influências de escrever peças jornalísticas! hahaha), e com este conto em específico, quero concorrer a um mini consursozinho, onde não posso passar das 10-15.

      E sim, é interessante ficar a conhecer melhor os 3 amigos, como nas personagens do Harry Potter, onde sabes bem as qualidades e defeitos da Hermione, do Harry e do Ron.

      Adoro a Coraline! Adoro tudo o que seja meio desproporcional e até meio Tim Burton... e cores, muitas cores garridas... tenho a cozinha do mundo dos sonhos tão na minha cabeça que até dói! E aquele Quintal... ai ai... :p hehehe... nem no Pinterest há um assim! ahahahaha***

      Que bom feedback! assentei tudo! :D
      Obrigada Analog*..... mesmo!

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    2. Um apontamento: de facto as histórias que escreveste antes eram realmente pequenitas, do género mais abertamente "infantil". Mas esta já tem um pezinho no infanto-juvenil, mais longo e detalhado.
      Gostava mesmo de ver esta história a crescer. :) Fico a espera de novidades nesse sentido hein?
      As imagens da cozinha que colocaste como a cozinha ideal são brutais. Também a imaginei muito assim. Fiquei com imensas imagens mentais, o que é sempre bom! Mais uma vez a veia da ilustração começa a querer revelar-se... quem sabe?
      E boa sorte no concurso!

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    3. quando vi aquela cozinha também achei simplesmente maravilhosa! era tudo o que eu precisava para estar dentro da história.
      obrigada MESMO pelo fedback. deixaram-me com muita vontade de a encher de detalhes... se não estivesse a trabalhar que nem uma doida, já estava agarrada a ela!

      Essa veia da ilustração é interessante*
      Já por duas vezes tive pessoas a desenhar para esta história... tive um rapaz que me fez o "Pedro" em adulto, e a Laura, da Kakopico, fez-me a Dona Sedrul... foi pura alegria ver as personagens da minha cabeça a ganhar forma!
      feel free to try, se isso te fizer feliz*

      obrigada por tudo!***

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  2. Olá Ana adorei a história mas concordo com a Analog. Apesar de estar bem conseguida faltavam caracteristicas que nos fizessem prender ainda mais por exemplo as que referiste agora nessa tua resposta. Não estou de modo nenhum a fazer te uma critica, estou apenas a dar a minha opiniao, espero que não leves a mal. ;)
    beijinho

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    1. é claro que não levo a mal, Cláudia!
      É assim q se aprende!
      Obrigada pelo feedback!

      Vou até começar a planear um revival desta história assim que tiver um tempinho livre, sem medos de tamanhos*
      Sinto-me renovada! vocês são um máximo!

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