Não me peçam borlas... eu vivo disto.


Hoje decidi que tenho de ter uma conversa séria com quem me lê desse lado.
Hoje não vou falar do habitual. Vou falar mim enquanto ser humano, cidadão, pessoa que trabalha arduamente para seguir os seus sonhos e atingir os seus objectivos. Aquela que trabalha no duro por conta própria e que considera que o seu trabalho tem valor especial.
Vou contar-vos uma história acerca do meu lado empreendedor que também é sofredor e lutador.


Desde que criei a Starling Film que recebo muitos pedidos para trabalhos desafiantes e criativos... O quadro estaria totalmente bem pintado, se não fosse o simples caso de que 70% desses trabalhos que orçamento voltam para trás, ou porque não podem suportar o preço, ou porque estavam à espera do "jeitinho" de graça, já que a Starling é recente, e acham que tudo é uma excelente oportunidade que me estão a dar para construir portefólio. Porque aparento ser uma pessoa tão querida no meu blogue, que de certeza que nem vou hesitar em aceitar esta ou aquela fantástica oportunidade para trabalhar de graça. (Deixem-me relembrar que trabalho nesta área há vários anos... só que só agora é que decidi enveredar por conta própria).
Sim, trabalhar por conta própria permite-me muitas coisas interessantes: faço o meu próprio horário, trabalho no que gosto... Mas estas alíneas vêm com grandes responsabilidades: Se não produzir, não ganho dinheiro, se não ganho dinheiro, não pago a renda, a minha alimentação, a minha deslocação e o meu local de trabalho. Fazer o meu próprio horário pode ser uma benção, mas também é uma armadilha, na medida em que se não me disciplinar a acordar cedo para terminar o dia a horas úteis, posso vir a ter a tendência para começar o meu dia tarde e a más horas, a distrair-me, a atrasar projectos e até a andar ao contrário do mundo.
Impormos as nossas próprias regras não é para qualquer um, especialmente quando queremos balançar isso com o nosso lado artístico. É quase como ter duas forças opostas a trabalhar ao mesmo tempo no nosso cérebro. Razão e Arte. É preciso ter coragem, ser organizado e focado... e acima de tudo, é preciso estarmos motivados.
A motivação vem de vários lados... vem de dormirmos bem, comermos bem, estarmos a viver e a trabalhar em locais que nos fazem felizes. Vem do gosto que temos por este ou aquele projecto, vem do gozo e felicidade que o nosso trabalho nos dá, e acaba também por vir da remuneração que tiramos a fazer e a trabalhar na vida que escolhemos.


Isto para vos dizer que acho extremamente injusto quando consideram o meu trabalho fácil... sim, é fácil disparar uma máquina fotográfica... "qualquer um o pode fazer". Se não o fizer eu, há 30.000 outras pessoas à espera para agarrar o meu projecto.
Não se sentiriam injustiçados estes mesmos clientes, se os seus patrões viessem com conversas destas?
"Mário (inventei este nome totalmente ao acaso), tu trabalhaste muito bem este mês! Parabéns! Trabalhaste horas a mais, mostraste-te motivado e conseguiste gerir bem o stress e várias áreas de acção. Mas olha, pá... sabes, isto 'tá mal, e não te posso pagar tanto este mês." ou "Olha Mário, tenho aqui um projecto espectacular, que tem de ser o melhor do mundo, algo que nunca ninguém viu, que surpreenda e que se torne viral na internet.... mas não tenho dinheiro nenhum para te dar. Mas tu vê lá, pá... isto é uma oportunidade única! E daqui pode ser que surjam mais projectos... eu já tenho um ou dois onde estou a pensar em ti, mas depois logo te digo, quando desenvolver melhor a ideia. Então, queres? Olha que se não fores tu, conheço um sobrinho de um amigo meu que acabou agora o curso e que 'tá doido para fazer isto".
Sei que o país está em crise... mas para quem trabalha como freelancer como eu, e na área dos audiovisuais, a situação é tão grave como esta... e multiplica-se por mil, a cada dia que passa, a cada mês que passa, e a cada ano que passa.
Para quem não tem a noção do que implica um trabalho audiovisual, eu explico: o cliente não nos está a pagar para segurarmos numa máquina fotográfica e para dispararmos. Ou no caso do áudio, por exemplo, o cliente não está a pagar para que carreguemos no "rec" enquanto locutores gravam uma voz off, ou para metermos barulhinhos giros ao acaso que animem uma led wall para um espectáculo. Aquilo que estão prestes a despender corresponde à nossa criatividade, à nossa concepção artística, à nossa sensibilidade, ao nosso tempo, ao amor que temos por aquilo que fazemos.
Se não procuram nenhuma destas características, então podem muito bem investir em equipamento, e fazer vocês aquilo que procuram.


O nosso trabalho tem valor, e esse valor tem um preço. Tal como as batatas que compramos num supermercado. Se queremos as melhores batatas para aquele estufado ficar, mesmo perfeito, então temos de pagar mais por elas. Porque não vamos chamar a senhora da caixa e dizer que queremos estas batatinhas por metade do preço porque estamos em crise. O preço está feito. Se queremos um fotógrafo de alta qualidade para aquele projecto que não pode falhar, temos de pagar pelo serviço dele aquilo que ele merece, pela sua arte, e pelas horas que perde a mimar e a pós-produzir o trabalho que fez.
Magoa-me quando me dizem "ah, mas tu isso fazes em cinco minutos, não é?", "Ah, um vídeo de 3 minutos, e precisas de uma a duas semanas para trabalhar nele?". Sim, meus senhores... preciso. E sim, ele custa "x", o valor das horas a gravar, o valor das horas a editar e o valor das horas a fazer alterações de pequenos pormenores que roubam 6 horas de trabalho, pormenores esses que decidiram alterar desde a primeira proposta até à primeira apresentação ao cliente que por vezes nem são contabilizados no valor final.
Preciso, porque não está nos meus valores entregar um trabalho mal feito. Porque quero perder tempo de qualidade a filmar, a pousar o tripé e a encontrar o melhor plano. Porque quero chegar à pós-produção e trabalhar as imagens que estou a fazer para vocês com carinho, sem pressas, sem stress, com brio. Porque se a Nossa Senhora não edita vídeo, eu também não faço milagres.
Porque tenho casos de amigos meus que em pós-produção de áudio tiveram de criar palavras (!!!) que os locutores não disseram, por ter sido tudo gravado à pressa. Acham que alguém lhes reconheceu valor quando o trabalho foi para a televisão ou para a rádio? Porque tenho amigos que perdem horas a apagar rugas a figuras públicas que vão para as capas das revistas. Acham que aquelas horas longas de trabalho à volta de um rosto não dão trabalho?


A nossa profissão está cada vez mais vandalizada, e a falta de dinheiro em geral faz com que muitos de nós tenhamos de aceitar os preços oferecidos para darmos de comer aos filhos e para pagarmos as  rendas. Está também na vossa consciência e nos vossos valores ajudarem-nos a lutar pelo que é justo ou não no mercado.
Pagamos impostos, segurança social, temos de comer, temos famílias que dependem de nós.  Escolhemos o caminho das artes e do audiovisual, e temos valor no que fazemos. Parem de nos pedir borlas, e reconheçam o valor de um orçamento.
Não nos roubem vocês também.

Ana Luisa, a pessoa criativa que vive a trabalhar pelos seus sonhos, de vídeos e de fotografias artísticas, e que gosta de poder pagar a sua casa, e de ter o que comer.

 
2011/03 Mike Monteiro | F*ck You. Pay Me. from San Francisco Creative Mornings on Vimeo.

39 comentários:

  1. Acredita! A quantidade de pessoas que me pede para fazer «um jeitinho» (leia-se: trabalhar de borla) porque «tu estás em casa, isso a ti não te custa nada, fazes isso num ai»!
    Esquecem-se que lá porque um trabalho aparece bem feito, não quer dizer que não tenha custado tempo e esforço, tempo e esforço esses que têm de ser remunerados, como é óbvio, por mais que conheça as pessoas e tal.
    Posso até fazer um preço especial a amigos (que faço), mas não esperem que vos traduza o CV à borla, porque o meu tempo de lazer é uma coisa, mas trabalhar, mesmo que seja para amigos, é trabalhar e as contas não se pagam com xi-corações.

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  2. Bem dito. Infelizmente são muitos os casos das áreas técnica e artística em que todos acham que "é fácil", "qualquer um faz", ou um "fazes isto em 5 minutos!" - a minha favorita.
    Não sei se é um fenómeno muito português em que pouco ou nenhum valor é dado à arte e criatividade (a não ser que sejamos valorizados pela imprensa e façamos exposições lá fora como a Joana Vasconcelos - sem lhe retirar o mérito, claro, pudessem todos os artistas portugueses serem assim valorizados!), e isso reflecte-se no teatro, no design, nas artes plásticas, em tudo no fundo...
    Porque este tipo de trabalho parece tão pouco importante mas é o que realmente enriquece as pessoas, o que valoriza uma empresa, o que lhe dá alma e valor, o que torna a experiência de vida algo diferente e original. Faz-nos tanta falta esse pedacinho de respeito pelas áreas artísticas...

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  3. Muito bom post! Clap clap clap! É assim mesmo Ana Luísa! É o teu trabalho, se é bom trabalho, tens que ser paga por isso e acabou! Quem não quiser, adeus e que volte quando dê valor! um beijinho

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  4. Não encontraria melhores palavras para reproduzir o oportunismo globalizado que a nossa sociedade se subjugou. Parabéns pelo post, pode ser que abra os olhos a muita gente sem escrúpulos que anda por aí!

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  5. Gosto muito!! let's spread the word!! e vê se fazes um meme t-shirts e bonés com "Porque se a Nossa Senhora não edita vídeo, eu também não faço milagres" amei a frase!!!

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    1. hahahah... infelizmente não é minha, é de um ex professor de áudio do meu Miguel... ele é que dizia "Porque se a Nossa Senhora não faz áudio, eu não faço milagres".
      É uma frase maravilhosa... adoro! :D

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    2. Porque se Nossa Senhora não cozinha eu não faço milagres! parece-me muito bem!!

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  6. é tão verdade o que dizes! também sou da área, também sou freelancer e também tenho exactamente os mesmos problemas. Porque a cada dia me dizem, "ah mas eu arranjo quem faça de graça".
    a verdade é mesmo essa, há contas para pagar ao final do mês (sem esquecer o que se paga ao Estado) e ninguém percebe isso!
    let's spread the world!

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  7. Isso é que é uma grande verdade. Cada vez mais as pessoas querem as coisas de borla, e pensam que é facil, e rápido o teu trabalho,e que o resultado fantástico não te deu assim tanto trabalho. Eu acho que fizeste muito bem escrever isto. E continua, que de certeza há quem possa e queira pagar pelo excelente trabalho que fazes.

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  8. Excelente ! Ana. A facilidade com que se desvaloriza o trabalho e ao mesmo tempo pedincham pela borla...é demais ! Espero que essas pessoas leiam o teu post e reavaliem o seu comportamento. Bom trabalho.

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  9. Compreendo-te bem.
    Nao sou puramente freelancer, tenho um "emprego" a recibos verdes. Uma dessas oportunidades fantásticas, um currículo de sonho, felizmente pago, mas tão mal pago que quando termino as minhas 9h laborais diárias (apesar de apenas serem pagas 8 e n ter direito a horas extra), começa o segundo trabalho, em casa, aquele que permite viver e nao sobreviver.
    Sou péssima a cobrar, e por vezes os amigos acham que n custa Nd fazer um desenhito, ajudar a escolher uns materiais, ajudar a apreciar um projecto que pediram a outro, ou mesmo fazer um projecto. Acham que pode ser de borla ou simbólico. Principalmente por ter um "trabalho" remunerado. Vivo a trabalhar, todo o dia. Todos os dias.

    É triste

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  10. Obrigada a todos pelos vossos comentários... É bom ver a vossa participação, e ao mesmo tempo entristece-me que estejamos tantos na mesma situação.
    Eu trabalho entre as 10 às 15 horas por dia. Entro para dar aulas às 8h30 e saio do trabalho já depois das 21h. Ao chegar a casa, ainda me ligo ao computador para adiantar mais qualquer coisa.
    A família sofre com isso, o parceiro também, e a minha vida social então, nem se fala.
    Depois, no fim do mês... às vezes dá vontade de chorar.
    Continuem a partilhar o texto. É duro ter de dizer coisas destas, mas estou farta de me sentir roubada pelo meu trabalho criativo.
    "Ana, adoramos o seu trabalho, não quer dar-nos umas ideias para um viral? Se gostarmos de alguma, pedimos-lhe o orçamento e vemos se vai para a frente!". Sabiam que as ideias e a criatividade também se pagam?
    e depois, é tudo o que escrevi acima. é triste que tantos passem por isto como eu... e ainda não tenho filhos, não sei se poderei ter. é um mundo de incertezas que me leva muitas vezes a pensar se emigro, ou se fico e faço a vida mais modesta que conseguir.
    Como é que realizo os meus sonhos se me cortam as asas antes sequer de tentar voar?
    Quero vingar nos audiovisuais, e tenho o sonho de vir a ter a minha pastelaria. Como? Vou começar a roubar?
    Partilhem, amigos! Até já*** E mais uma vez, obrigada!

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    1. Olha que essa coisa da pastelaria... não queres uma sócia? :)

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  11. Revejo-me completamente na situação que descreveste. É engraçado ver que mesmo sendo de uma áreas diferente (embora também incida nos audiovisuais), me identifique tanto com a situação. Sou tradutora freelancer e faço também legendagem numa empresa. O trabalho de legendagem, para além de ser mal pago, não lhe é dado valor suficiente. Essa ideia do "ah mas tu fazes isso num instante, não?" deixa-me incrédula. Três ou cinco minutos de vídeo roubam-me no mínimo uma hora de trabalho... imagine-se um episódio de uma série, que tem cerca de 25 minutos, ou um filme de 90 minutos (que são os mais pequenos!). Tudo é para hoje ou para ontem. Quando contactam um tradutor, é sempre à última da hora. É pena que a pressa que têm para receber o trabalho final não seja igual à pressa para pagar. Por vezes ficamos meses à espera que nos paguem. E quando os trabalhos são mais difíceis e requerem mais investigação e esforço, ficam escandalizados com a subida de preço. "Não pode fazer um 'jeitinho'? É que isso realmente é muito." Um 'jeitinho'? A quem trabalha numa empresa, tem um salário fixo e contrato feito também lhe pedem um 'jeitinho' ao final do mês? Eu é que sei quanto vale o meu trabalho, quanto valem as horas que despendo a fazer o maior esforço para entregar os trabalhos dentro do curto prazo que nos impõem, tentando preservar ao máximo a qualidade. Sim, porque prefiro recusar um trabalho se vir que não o consigo fazer em condições suficientemente boas dentro dos limites que estabelecem, da redoma que me impõem, do que fazê-lo à pressa e não rever o meu profissionalismo no mesmo.
    Os recibos verdes são a praga da juventude que luta para entrar no mercado de trabalho. Quase que pagamos para trabalhar e isso revolta-nos. Já passei a fase em que me enraivecia com estas injustiças e passei agora para a tristeza de viver numa sociedade assim.
    Adoro de morrer o meu país, mas acho que vou morrer primeiro antes de ele me retribuir esse amor.

    Um beijinho cheio de compreensão ;)

    http://coceat.blogspot.pt/

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    1. Concordo contigo, MArgarida...
      cá andamos*
      Obrigada pelo comentário. pode ser que isto ajude a abrir alguns olhos*

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  12. Revejo-me e estou a passar por uma fase péssima por causa disso. Comecei recentemente a fazer trabalhos de freelancer e tenho sempre alguém que me ajuda a fazer os preços, porque ainda não tenho noção dos valores. Tenho sempre medo de pedir muito ou pedir pouco. Mas como tenho alguém que me ajuda já não me importo com isso. Mas as pessoas ficam chocadas com o preço e dizem-me que "à e tal estás a começar não podes pedir assim tanto já de inicio se não, não vais a lado nenhum", ou então "tinhas de avaliar o meu tipo de loja/cliente e fazer um preço porque eu não tenho capital para isso" e eu O QUê? eu é que tenho de avaliar as pessoas e se elas não tiverem grande capital fazer-lhes um jeitinho?? Acho que anda tudo muito maluco com a crise. A crise é desculpa para tudo.
    Adorava transcrever este teu texto para o meu blog, porque neste momento sinto-me assim, desvalorizada. Tiveste a coragem que eu não tive.

    Beijinhos *

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    1. partilha, bruna... transcreve, copia... espalha a palavra! :D*
      Obrigada por passares por cá!

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    2. Uma estória
      Um gajo tem um problema com o seu computador
      Chega o «cromo» e carrega numa tecla e resolve.
      Pede 100 euros.
      Do outro lado: 100 euros por carregar numa tecla?
      diz o cromo: 10 por carregar e 90 por saber qual é a tecla.

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  13. Ana, tens toda a razão. também trabalho na área há alguns anos (por conta de outrém) e a sensação que tenho, porque já o ouvi várias vezes, é que o nosso trabalho é um hobby. porque quem vê tv, ouve rádio, lê uma revista ou uma página na net, acha sempre que as coisas aparecem feitas com a maior facilidade deste mundo. e esquece-se que, por vezes, uma coluna numa revista ou uns meros 2 minutos de rádio/tv demoraram dias a construir.
    assino por baixo, obrigada por este texto.

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  14. O saber fazer, o saber criar tem um valor que, normalmente, não pode ser quantificado ou no mínimo não tem uma regra, valor quantificado.
    Como se quantifica um trabalho criativo?
    Como se explica a um cliente que aquele desenho vale X? quando ele olha para o desenho, e, depois de feito, diz: isso até eu fazia.
    De um modo geral o valor acrescentado de um bom profissional é desvalorizado. Qualquer coisa serve desde que seja barata. São poucos os que têm a noção de que um profissional qualificado é uma mais valia, que a imagem tem valor, etc. Para muitos o que interessa é ser barato. Quando se pactua com este tipo de situações, só estamos a desvalorizar o nosso trabalho e, por acréscimo, o de todos. Em resumo, valorizem o trabalho e não tenham remorsos do que pedem.

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    1. é isso mesmo! Já viste o vídeo acima? os minutos iniciais são mel para os meus ouvidos! :D

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  15. Ufff... que tareia! Grande texto, constatação e frontalidade!
    Eu + ;)

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  16. Muito bom Luisa!! Subscrevo!! Investimos em formação, estudamos, planejamos e dormimos pouco. Merecemos retorno! ;-) Criatividade tem preço!

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  17. Olá Ana. Gosto de ver que apesar da situação actual do país, estás a lutar pelo teu sonho e a tentar ser feliz no que acreditas.
    Gosto principalmente de ver a evolução que tiveste desde que fomos colegas na Benfica Tv. A menina que pouco conheci, e que infelizmente muito pouco tempo tive para conhecer, luta pelo que acredita e a faz feliz!
    Situações bem diferentes, mas com pensamentos iguais. Apesar de me manter na Benfica Tv, tento avançar a muito muito custo no meu sonho. Tirei o curso, tenho diplomas e muitas horas de treino em decoração de bolos. Como tu, almejo ter a minha pastelaria. Mas lá está... Um jeitinho dá sempre jeito e bastantes orçamentos rejeitados.
    Querem um bolo barato, mau e sem personalização? O supermercado está cheio deles. Querem algo que vos faça sorrir e que ao provar vos traga recordações? Então falem com pessoas que como nós, investem todo o esforço para que isso se torne realidade, seja em que área for.
    Ninguém é perfeito e todos nós temos falhas, mas também sabemos reconhecer quando merecemos valor. No meu caso, dói quando buscam pessoas cujo trabalho é a peso e com pouca qualidade, enquanto eu por fazer a orçamento (acredita é a única maneira justa para todos de o fazer) estou a "roubar". Quem paga os materiais? Quem paga a horas que como tal disseste, despendemos da família, amigos e nós próprias?
    Seja em que profissão for, todos nós somos pagos para trabalhar.
    Já é altura de todos perceberem isso...
    Desculpa o comentário grande, mas não te sintas sozinha neste mundo, e apesar de tudo, continua a sonhar muito, porque tens imenso talento, é uma pessoa fantástica e as coisas boas acontecem aos bons!
    Muita força!
    Beijos grandes,
    Ana :)

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    1. Obrigada pelo comentário, Anocas!
      Dá-lhe forte e feio no teu sonho, querida*

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  18. Caramba, é precisamente isto que me vai na alma. Muito bem dito.
    Beijinho

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  19. O que eu gosto de ver este teu lado aguerrido, bravo, forte... É mesmo isso. O trabalho é teu, por isso o preço é teu. Quem quiser mais barato, que faça ao género de um "DYI". Nós tivemos essa conversa quando "trabalhámos" juntas. É óbvio que quem está deste lado espera sempre um preço fácil de pagar (que se traduz por barato), mas o que importa é o preço justo. E esse, só os profissionais é que sabem. Borlas? Só nos cortinados. ;-)

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  20. Não querendo ser ofensivo nem entrar em grandes polémicas, mas o grande problema reside também na quantidade enorme de "freelancers", pessoas que têm outros empregos mas como acham que têm jeito para a "coisa" (alguns até têm), auto se definem como freelancers (alguns dizem depois para se desculpar "Eu até não sou fotografo, a minha profissão é outra....")

    Muitos destes curiosos nem recibos e/ou facturas emitem, fazem trabalhos por "baixo do pano", vendem para agências de comunicação fotos e material audiovisual muito abaixo do valor de mercado e ficam todos contentes pois alguém lhes paga esse trabalho (conheço casos desses que dizem à boca cheia "Eu não dou trabalhos a ninguém").

    A grande questão é que essas agências de comunicação, que até pagam por "baixo do pano", vendem esse material à comunicação social a preços muito mais elevados, ao real valor do mercado.
    No caso da fotografia de marketing passa-se exactamente o mesmo com as agências de publicidade....
    Outro caso... "Photo-report" de bares e discotecas, todos feitos por "baixo", preços negociados entre 2 copos e ao fim de algumas noites aparece outro que faz mais barato, sem contratos, etc e no final todos ficam a "arder", ninguém recebe mas as fotos já ficaram do lado do dito bar...

    Isto tudo para dizer o seguinte, se querem valorizar o vosso trabalho assumam a vossa profissão, façam as coisas legalmente, denunciem os pagamentos "por baixo", acreditem que resulta e acima de tudo, tentem fazer contratos (escritos) com Agências de Comunicação.
    Cada vez mais são vedados acessos a eventos a "freelancers" por os mais variados motivos. Vale a pena pensar nisso.

    Já agora sou sócio-gerente de uma empresa de Conteúdos Multimedia, onde se faz sempre tudo pro contratos escritos, mesmo photo-reports que faz em algumas discotecas e bares do Norte.

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  21. Muito bom. Não o teu trabalho e dei uma vista de olhos e acho que és muito boa naquilo que fazes e elevas a nível do que se faz por cá. Também sou trabalhadora free lancer na área de joalharia e arquitectura e faço minhas todas as tuas palavras. Muito bom, vou espalhar por toda a gente que conheço.

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    1. Obrigada! É tão engraçada a forma como este post se espalhou, mas ao mesmo tempo, fico triste que sejamos tantos na mesma situação.*
      beijinhos e obrigada pelas palavras*

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  22. Acerca do mesmo assunto, um ilustrador brasileiro que vai expondo problemas como os que numera aqui:
    http://divasca.blogspot.pt/

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