GiggleSutra Challenge - Guest Post by Analog's Box



Quando a Ana Luísa me convidou para fazer este post não havia muitas dúvidas sobre o que queria escrever. Tinha de estar ligado à criatividade, e a mim.
E entretanto o desafio do GiggleSutra saiu para o mundo, a ideia começou a crescer na minha cabeça, e sabia que tinha de escrever sobre o processo criativo e a criação da minha ilustração. E de como este processo é sempre igual e diferente de cada vez que passo por ele.
Recebi o convite da Ana numa dessas tardes cinzentas de Janeiro, em que fiz uma pausa muito rápida no trabalho do dia-a-dia para navegar um pouco na web e tinha uma mensagem privada, a explicar-me o desafio e a convidar-me a participar. Claro que delirei. Acho mesmo que tive um pequeno ataque de histeria, e logo a seguir declarei para os meus colegas que ia fazer uma ilustração. Nem pensei duas vezes, ia fazer e pronto. Naquele mesmo dia ficou decidida a posição e tudo. Na verdade o desafio chegou em boa hora, com o fim das festas e o início do ano, o meu Janeiro andava mais que preguiçoso. Precisava de acordar, de voltar a ganhar o hábito de desenhar, de definir técnicas e estratégias.



Não deitei logo as mãos à massa, estava com um projecto em mãos e queria confirmar que o este desafio realmente ia para a frente, que se angariavam todos os ilustradores. Não que alguma vez duvidasse que fosse possível, mas já tinha dito que estava preguiçosa, não foi? Pois, foi confortável esperar pelas certezas absolutas, mas o tempo estava já a contar. Isto traz-me ao domingo, dia 26 de Janeiro, em que o tinha planeado para este projecto.
Uma pequena nota: eu sou designer e costumo funcionar muito pela visualização, quando começo a imaginar como quero, mesmo que o resultado seja diferente da minha ideia inicial, normalmente corre bastante bem. Mas claro que há excepções, e quando tenho aqueles dias de bloqueio, nada corre bem. Esse domingo foi um desses dias, eu tinha a ideia na cabeça, mas não saía nem por nada. Passei o dia a procrastinar. Fiz meia dúzia de desenhos rápidos no meu caderno e pintei uma mancha de aguarela e desisti. O dia tinha sido altamente improdutivo e faltavam apenas 3 dias para a entrega do trabalho, sendo que eram dias de semana, com o meu emprego a tempo inteiro pelo meio. Estava frustrada, estava em pânico com o atraso e estava aborrecida comigo mesma por ter adiado tanto a tarefa. Ah, e claro, tive uma dor de cabeça o tempo todo.



Nestas alturas prefiro sempre não forçar. Parte de mim recriminava a minha atitude porque devia trabalhar, mas forçar não me leva a lado nenhum. No meu trabalho por vezes tenho MESMO de terminar os trabalhos e acabo sempre por não gostar do resultado. O processo faz parte do trabalho, e se não o aprecio, o resultado final pode ficar comprometido. Este projecto teria de ser feito com alguma calma e confiança de que iria terminar bem, desde que eu não entrasse em pânico. E de facto, no meio da preguiça, à noite consegui, sem grandes expectativas, voltar a esboçar no meu diário gráfico e consegui entender como gostaria que as minhas figuras fossem.
Na segunda feira já estava com outro ânimo. Não me lembro se foi um dia de trabalho que correu realmente bem, mas cheguei a casa determinada a dar andamento à ilustração. Tinha recapitulado na minha mente os pontos importantes que eu queria focar: usar o vermelho, a colagem, a explosão de corações que significariam o orgasmo. Decidi começar pela tarefa mais simples, por isso aproveitei o borrão que tinha secado do dia anterior e os meus furadores em forma de coração. Algures durante o dia apeteceu-me muito usar páginas de um livro ou de um jornal para “forrar” as personagens, e daí surgiu a hipótese de incorporar texto na minha ilustração. Ainda vagueei pelo meu livro de poemas de amor de Shakespeare, mas isto não se tratava “apenas” de amor, também é luxúria. E aí devo agradecer ao meu namorado, o Pedro, que se lembrou que eu adoro a música de Serge Gainsbourg com a Jane Birkin Je t'aime... moi non plus, e ficou perfeitamente claro que deveria incluir a letra da música. A partir daí, apenas tive de fazer alguns ajustes aos desenhos que tinha espalhados e começar a juntar os elementos. Ao fim de algumas tentativas consegui finalizar a composição que tinha em mente. Por fim faltavam os corações e eram muitos e muito pequenos. Comecei a perceber que colá-los demoraria eternidades ficaria cheia de marcas de cola, e na digitalização ficaria sem sombras nem textura. Não os colei e o Pedro mais uma vez foi uma ajuda preciosa, que fotografou a ilustração à luz do dia. Resumindo. Num dia estive a penar, no dia seguinte consegui resolver o assunto em poucas horas.
O processo criativo é assim, imprevisível. Uma coisa posso afirmar com certeza, nunca é aborrecido, e acaba sempre bem. Finalizar algo quando se teve um bloqueio é indescritível, faz-nos sentir que conquistamos o mundo, e isso vale sempre a pena.

When Ana Luísa invited me to write this post, there was not much doubt what was I to write about. I wanted it to be about creativity, and me.
Meanwhile GiggleSutra Challenge went out to the world, and an idea began to grow on my mind, then I knew I had to write about the creative process to produce my illustration. And how this process is so similiar and so diferente everytime I go through it.
I got Luisa’s invitation to participate on a grey January afternoon, when I decided to pause a bit from work and brows through the web, and found a private message on facebook telling me all about the project and asking me to participate. I was deliriant. I think I went a bit histerical , but immediately declared to my co-workers that I was participating in an illustration project. I was not thinking about it twice, I was doing it. That same day we decided which position I was illustrating. This challenge was everything I needed, I was having a lazy month. I needed to wake up, recap good creative habits, draw, define techniques and new strategies.
I didn’t start right away. I was already in the middle of a project and wanted to check if this was going to set off. Not that I didn’t believe it wouldn’t, but I mentioned I was being lazy, didn’t I? It was comfortable to wait for everything to be defined to start working, but the clock was already ticking. This brings me to January 26th, a sunday I had saved specially for this project.
A small note: I’m a designer and I work a lot from visualization, when I imagine what I want to do, even if it results differently, it’s good for the process. But there are exceptions of course, and then I have these blank days when nothing goes right. That sunday was a blank day, I had an idea in my head, but it wouldn’t come out. I procrastinated all day. Made some quick drafts on my sketchbook and painted a watercolor spot and quit. The day had been improductive and there were only 3 days to deliver the work, 3 workdays. I was frustrades, panicking and mad at myself for waiting so much to start this task. Oh and yes, I had a day-long headache.
These times I rather not force it. Parto f me was really critical tfor allowing myself to take a break when theres was so much to be done, but I know that wouldn’t help at all. In my day work I REALLY have to force myself to finish the works anda never like the results. The process is part of the job, and if I don’t enjoy it, I won’t like the result. This project had to be done with calm and confidence that it would end well if I didn’t panick. So, later and slowly and with no expectations, I went back to the skecthbook and defined my figures.
On monday I was feeling better. I can’t recall if I had a good day at work, but I came home wanting to make this illustration more than ever. Om my mind I recap what I wanted to use: red colour, collage, the hearts explosion which was going to represent an orgasmo. I decided to start off with the easy task, so I used the painted paper from the day before and my hear punchers. Somewhere anlong the day I wanted to use a book’s or paper pages to be the background for my couple, and from there I considered using text on my illustration. I wonderd through some Shakespeare’s love poems but it still wasn’t it, this was lust, more than love. So Pedro, my boyfriend saved my life, suggesting I would use Serge Gainsbourg and Jane Birkin’s song “Je t’aime... moi non plus”. From that point on I just had to adjust small parts of the drawings and everything came together. After some atempts I finished the composition. I only had lots of small paper hearts that would look awful if glued so I decided not to. Once more, Pedro helped me by photographing it in the day light . Long story short. One day I was stressing myself out, the next day , the problem was solved in a few hours.
That’s the creative process, unpredictable. One thing I can assure, it’s never boring, and always ends well. Finishing something after a block is amazing, makes me fel like I can conquer the world, and it’s always worth it.

8 comentários:

  1. Gosto imenso do resultado final e do trabalho da Joana. :)

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  2. Obrigada pessoal! Adorei cada passo do processo e deste desafio. Que venham mais sôdona Ana Lu!*

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  3. A ilustração da Joana ficou linda, linda! Adorei a descrição de todo o processo criativo. :)*

    www.joanofjuly.com

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