Então como está Lisboa? // So how is Lisbon right now?


Hoje uma das minhas melhores amigas que vive em Londres perguntou-me "como está Lisboa neste momento?".
A resposta que me veio mais depressa à cabeça foi "ah, não sei... o tempo está meio estranho, ora calor ora frio, mas de resto 'tá tudo bem, nem sei bem. Não ando muito na rua".
Ficámos em silêncio durante poucos segundos, mas foram o suficiente para eu poder processar a informação de outra forma. Disse-lhe então: "Da minha perspectiva, Lisboa está bonita, cheia de gente criativa e ambiciosa, com medo mas ainda assim a arriscar e a fazer por ser feliz". Depois acrescentei, "mas eu escolhi ver Lisboa desta forma, através das pessoas com quem escolhi relacionar-me".
Não quero de forma nenhuma parecer arrogante neste meu post, mas a simples pergunta que a Lili me fez deu-me uma nova clareza na forma como vejo esta cidade. Escolhi deixar de ver notícias há cerca de dois anos e meio. Deprimiam-me. Leio apenas o que me interessa saber e tento manter a cabeça sã, longe de negatividade. Acho que isso foi uma das coisas mais importantes na minha vida, no que toca aos caminhos que tenho escolhido. Há três anos atrás, quando decidi começar a ser dona da minha própria vida, era chamada de maluca, desiludi pessoas que nunca imaginavam que no meio de tanta gente, eu estivesse desempregada em plena crise, a tentar algo de diferente, quando devia estar era satisfeita com um ordenado que me pagasse a renda. Três anos depois, todos os que agora estão na mesma situação são empreendedores. E a forma como a sociedade está a mudar a mentalidade face a isto é bonita. Eu passei de maluca a corajosa. Não me vejo como a última coca-cola do deserto, nem ambiciono sê-lo... mas aprendi que acima de tudo, o que realmente quero é ser feliz, independentemente da opinião de quem quer que seja. E felicidade para mim trata-se de escolhas e de acreditar. Escolher querer estar sempre rodeada de pessoas positivas, que me puxam para cima e me ajudam a sonhar alto. E acreditar sempre que mesmo que as coisas não corram tão bem, há algo de bom que se aprende com elas. Acreditar que podemos estar a ser umas valentes malucas em dar certos saltos, mas e se corre realmente bem? Acreditar na curiosidade e na intuição.
Para mim, Lisboa está bonita porque todos os dias me relaciono com gente bonita. E quando digo bonita, não falo de modelos de revista. Falo de malucos. Falo de lindos, bonitos, autênticos malucos que querem acima de tudo ser felizes. É por isso que trabalho num espaço de cowork. Lá dentro, acreditem, somos todos malucos. Malucos porque fazem o que gostam, porque estão habituados a dias de valente merda, e ainda assim adoram acordar de manhã... que dão real valor aos dias que são incríveis, e bebem energias uns dos outros, canalizando-as para a ajuda, para dar a mão e para vencer mais um dia. E foram esses malucos que me ensinaram a levantar a cabeça quando um cliente não pagava, que me mostraram os seus casos pessoais, e que isto não me estava a acontecer só a mim mas que era uma realidade de se ser freelancer. Que havia uma carapaça para construir. Foram estes malucos que me ensinaram a levar o meu trabalho a sério quando os meus círculos próximos não percebiam do que é que eu ia viver, já que não se come o ar. A sociedade por vezes está intoxicada, e os que nos são queridos não nos dizem coisas por mal. Querem o nosso bem e amam-nos de verdade... mas por vezes os pais também precisam de ser educados por nós, os amigos precisam que lhes seja mostrado que existe mais para além de um ordenado. E esse mais é ser-se feliz. É destes malucos que me rodeio... como por exemplo o maluco do Fernando Mendes, dono do Coworklisboa, que quando lhe disse depois do meu primeiríssimo mês de trabalho que tinha de me ir embora porque não podia pagar a minha mesa, que eu tinha de ficar. "Não faz sentido ires embora Ana Luisa. Vais ficar, eu acredito em ti, e quando me puderes pagar, eu sei que vais fazê-lo". Nesse dia, eu não queria acreditar que poderia vir tanta generosidade de um estranho. Hoje, dois anos e meio depois, ele é como um pai para mim.
Vivo de me rodear da Susana Almeida do Feliz é quem Diz, que abdicou do seu trabalho para partilhar pedacinhos de felicidade, vivo de ver as energias bonitas da Maria Midões, que seguiu um sonho de Nova Iorque e que hoje é mais talentosa, bonita e completa a fazer o que gosta, vivo de jogar jogos de tabuleiro à noite com um grupinho de amigos em vez de ir sair à noite a uma Sexta ou a um Sábado. Sim, na vida secalhar fui um bocadinho egoísta, e afastei-me de outros e de outras coisas... mas quanto não vale usar essas energias bonitas e oferecê-las por exemplo aqui, na esperança de vos trazer um sorriso nesta noite de Segunda-feira. Pegar em tudo o que me têm passado e ver a Bia a começar o seu curso de fotografia amanhã porque a minha intuição me disse que ao oferecer-lhe este presente ela seria mais feliz. Talvez ela também transmita boas energias amanhã, porque vai sentir o coração cheio de amor.
A Lisboa onde eu vivo é bonita também porque eu escolhi a forma como a quero sempre ver. Porque quando deixasse de acreditar, não teria razões para ficar. A Lisboa onde eu vivo é feliz. E eu sou feliz nela.
Boa semana.
Love, Lu*

PS: A fotografia foi-me tirada pela Bia enquanto eu filmava este vídeo. O vento brincou connosco toda a tarde e deu-nos magia.

Today, one of my very best friends who lives in London asked me "So how is Lisbon right now?"
My answer came quick and I didn't give it much thought... "oh, I don't know... the weather is a bit weird. But everything else is ok, I don't know... I'm not going out much".
We were silent for a few seconds, but it was long enough to make me process the information in another way. So I told her "from my perspective, Lisbon is beautiful right now. Filled with creative and ambitious people, who even if afraid, are trying really hard to be happy".
Then I added, "but I decided to see Lisbon like this, I guess, through the people with whom I decided to connect with".
I don't want, with this post, to seem arrogant or like I know it all, but the simple question that Lili made me think about brought me an entire new clarity about this city. I stopped looking at the portuguese tv news around two and a half years ago. It depressed me. I read and search for what I want and try to maintain a healthy mind, away from negativity. I think that was one of the most important things I've ever done, when I think about the paths I've chosen. Three years ago, when I decided to try to be my own boss, I was called the crazy one. I let down people who out of everybody never thought I'd be unemployed ever in my life, not even for a second. "Ana Luisa? Right when the economical crisis hits the country, is unemployed? Poor crazy girl. She should hold on to her pay check and pay for her rent." Three years later, the ones who are doing this same jump are entrepreneurs. The mentalities changed. And that is beautiful. In a funny way, I went from crazy to brave. I don't see myself like the ultimate coca-cola in the desert, and believe me when I say that I'm not trying to be. What I've learned in these past three years is that ultimately all I want is to be happy, no matter what others think.
And happiness to me is about choices and believing. I have chosen to be surrounded by positive people, that pull me up when I'm down and who help me keep on dreaming. And I believe that even if things don't go well with the choices I've made, there will always be a good lesson. I believe that we can be really crazy because we chose to give such insane jumps, but what if they go really well? I believe in curiosity and in intuition. 
To me, Lisbon is beautiful because I connect with beautiful people. And when I say beautiful, I don't mean models from Vogue mag. I'm talking about crazy ones. Beautiful, amazing, authentic crazy people who do everything they can to enjoy and just be happy. That is, for example, one of the reasons why I chose to work at a coworking space. In there, believe me, we are all completely nuts. They are nuts because they do what they love, because they are used to having unbelievably shitty days, and still wake up every morning wanting to do good... They are nuts because they really appreciate having an incredible day and drink the energies from one another to use them for good things. It was those crazy ones who taught me to keep my head high if a client didn't pay me on time, that I wasn't the only one whose things like this happened, and that that is just the constant life of a freelancer who has to learn on how to deal with these things. That sometimes there is a shell to build. It was these crazy ones who led me into believing in my work when my closest circles didn't understand what I was living on, since you can't eat air. My friends and family always wanted the best for me, and its understandable. But sometimes, there are times in life where parents need to learn from us too. That there is more than a pay check, and that is to be happy. That sometimes it takes hard times to reach happy times. 
I'l never forget when Fernando Mendes, the owner of Coworklisboa told me I couldn't leave on my first month just because I didn't have money to pay for my table. He said " you are not going anywhere. I believe in you, and you'll pay us when you can". I never thought there could be such generosity from strangers, and on that day, he became another father to me.
I live to surround myself by people like Susana from Feliz é Quem Diz, who left her day job to create a brand that spreads bits of happiness. I live to see the energy that comes out of Maria Midões, who followed her heart to New York City and today is more talented and beautiful than ever. I live to do simples things that fulfil me like playing board games with friends on a Friday night instead of going out. Yes, I confess I've been a bit selfish in my life, by stepping away from some people and some things... But the best part of it is taking all those good energies and try to send them to you through this post in the hopes they will make you smile a little bit this Monday night. Grabbing all those energies and see Bia start her photography course tomorrow, because my intuition told me that she will be so happy tomorrow that its all worth it spending the money to see her smile. Maybe she'll do some good tomorrow too, cause she'll be full of love in her heart to give.
The Lisbon where I live is beautiful, because I chose to see it like this every day. And because the day I stop believing, is the day I'll have no reason to stay. The Lisbon where I live is happy, and I am happy in it.
Have a wonderful week.
Love, Lu*

PS: This pic of me was taken by Bia while I was filming this video. The wind played with us all afternoon but also offered us real magic.

7 comentários:

  1. Lisboa é mais bonita porque tu estás cá! Beijinhos ��

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  2. Que bonito texto de esperança :) todos precisamos de fé em algo, de futuro , de esperança seja lá como for.

    Eu também não vejo notícias. Deixam-me mal, estragam-me o dia e deixam-me com medo. Com medo não fazemos nada. Não saimos do sitio.

    Eu estive em Lisboa este fim de semana e escolhi ver a dinâmica, a diferença, a abertura de mentes em vez de ver o que a minha colega viu e que não gostou.

    Ainda bem que estás aí a partilhar estas coisas conosco. Estes pensamentos.

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  3. Obrigada, é só o que me ocorre dizer! Obrigada por este texto tão bonito e inspirador, por mais uma vez me rever tanto nas tuas palavras, pela força, confiança e ânimo que transmites. Ainda no fim de semana escrevi um post no meu pequenino blog sobre um marco no tempo que alcancei mas como isso não me chega, como quero tanto mudar e ser feliz. Compreendo tão bem a parte dos que nos são próximos não entenderem que o ordenado para pagar a renda não basta para sermos felizes... Ainda não consegui dar "o salto" porque além da renda há também filhas pequenas que me fazem pensar e repensar nas responsabilidades familiares, mas os teus textos fazem-me sempre sonhar e sentir como que uma mão no ombro :) Por tudo isto, obrigada!

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  4. Olá Ana, obrigada pelo teu post :) Confesso que me apanhou de surpresa, mas acredito que não é pura coincidência... Sim, porque estou no meio de uma certa confusão, indecisa entre continuar com o desenvolvimento do meu projeto e criar uma empresa social, ou trabalhar como freelancer com outras organizações... Mas o MEU SONHO é mesmo criar esta empresa, e sei também que não se vive do ar... O que fazer? Como tu acredito que para se ser feliz nesta vida, ou pelo menos para mim, é necessário fazer um trabalho que nos preencha, um trabalho que se ama. Não fazer uma coisa qualquer, mas fazer a TAL coisa que corresponde à nossa paixão... Existe um equilíbrio? Não sei, eu acredito no equilíbrio, mas talvez não neste caso, ou vai ou racha, não há tempo para criar um projeto de raíz e fazer outras coisas. Assim sendo, não sei, continuo indecisa :)

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  5. Obrigado pelo texto inspirador! Identifico-me muito contigo! É dificil, mas nós vamos à luta!
    Bjinho
    http://www.startlivinginstead.pt/

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  6. Ana, também do cowork16 de junho de 2015 às 18:51

    A Lisboa onde tu vives é bonita porque tu vês as coisas de forma bonita, e quão bonito isso é :)

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  7. Belo texto:-)

    http://thelifestyleandfashion.blogspot.pt

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