Não sou uma aberração da natureza! // I'm not a freak of nature!

"Ana Luisa, mas quando é que paras e escolhes uma coisa? Tens de escolher uma para te tornares boa nela."
"Mas eu não consigo escolher, gosto de milhares de coisas!"
"Mas isso não está bem. O que é que queres ser afinal? O que é que tu és? O que é que tu queres ser quando fores grande??"
Sorri, e calei-me. Nesse dia fui para casa a pensar, realmente o que é que há de errado comigo?

Esta pequena conversa que vos transcrevi veio de um ex-chefe meu, que me encontrou na rua um dia, já depois de eu me ter despedido desse trabalho, quando ele passou a aborrecer-me de morte. Eu já ia no terceiro trabalho desde que tinha saído daquele.
Mais tarde voltei a encontra-lo, estava eu num trabalho de fotografia, e a forma como ele olhou para mim incomodou-me. Quase como se estivesse com pena de mim, uma menina com tanto potencial que agora estava num evento a tirar fotografias a pessoas. Senti-me julgada naquele momento e nunca mais esqueci aquele olhar.
Dois anos passaram desde então, e tornei-me confortável na minha pele, mas nunca percebi o porquê desta minha constante necessidade de abraçar projectos novos, quase como se fosse a minha droga, o que me motiva a estar sempre em andamento. Já falei sobre isto em tantos posts e embora a minha mensagem sempre fosse feliz, partiu sempre da minha interpretação dela. Até ontem.
Ontem à noite enviaram-me uma TED talk, a que está aqui acima, e confirmei que não estou a fazer nada de errado quando nos meus emails assino da seguinte forma:

xoxo, Ana Luisa
- Photographer/Videographer at www.luisastarling.com and www.dream-and-star.com
- Blogger at www.doceparaomeudoce.com
- Paper printing freak at www.giggles.pt
- Driver at www.wehatetourismtours.com

O mundo também precisa de nós. Dos que não encontram só uma área de interesse. Dos que saltam com paixão para as diversas áreas que lhes interessam, depois aborrecem-se e começam toda uma nova. Dos que são constantemente iniciantes, e que por serem iniciantes tantas vezes, acabam por não ter medo de começar coisas. Que como transportam os conhecimentos das várias áreas onde estiveram para as novas, na verdade, não são assim tão iniciantes, e podem ajudar em muito os que são especialistas.
Parem de pressionar os miúdos de hoje com escolhas. Eu fui pressionada a escolher uma área quando nem sabia o que queria, um curso quando eu não sabia o que queria, profissões que não me diziam nada porque eu tinha de ter um emprego. Quando finalmente o meu cérebro começou a pensar por si (porque cada um tem o seu timing para começar a pensar por si e não pelo que é socialmente correcto), e tinham passado anos em que poderia ter-me dedicado ao que me fazia realmente feliz. Não limitem, abram perspectivas e horizontes. Esta "crise" de que oiço falar está na cabeça das pessoas que não se deixam ser felizes e que se negam a sonhar.

Pronto, ontem, senti-me tão feliz que mal dormi. Há mais como eu desse lado? Levantem a mão! 
Brindo a vocês.
Love, Lu*

"Ana Luisa, but when will you stop and chose one area? You gotta chose something and jut be good at it".
"But I can't. I love too many things!"
"But that is just wrong. What do you want to be in the end? What are you? What do you want to be when you grow up?"
I smiled and shut. On that day, I went home thinking "Whats wrong with me, damn it!"

This small chat happened with an ex-boss of mine, who one day found me somewhere. It had been a while since I had quit the job because after a few years it didn't bring me nothing new and bored me to death. I was now on my third work since then.
Later, I found him again, and I was taking pictures at an event. I'll never forget the looks he gave me. Kinda like he was sorry for me, the girl with so much potential that now was taking pics at a party.
Two years have passed since then, and I became comfortable on my own skin, specially cause I started to be with other freaks of nature like I am, but I never understood why. I never understood this incapability of mine to stick to one thing. Why did I have to constantly be embracing new projects that thrived me and were like a drug to me, and then, leave and start all over. I've talked about this theme a few times on my blog, but it was always with interpretations of mine. Until yesterday.
So yesterday, at night, a friend of mine sent me this TED talk you have above, and he said, this reminded me of you. I saw it, and wanted to cry in relief. I found out that there is nothing wrong with signing my emails like I do:

xoxo, Ana Luisa
- Photographer/Videographer at www.luisastarling.com and www.dream-and-star.com
- Blogger at www.doceparaomeudoce.com
- Paper printing freak at www.giggles.pt
- Driver at www.wehatetourismtours.com

The world needs us too. The ones who can't just find one field of interest. The world needs these crazy ones who jump from diverse areas and fields, then get bored and find new ones and jump all over, with all their strengths. 
The constant beginners. That by being beginners so many times, aren't afraid to take risks. And that by bringing all the knowledge from all their different fields, aren't actually beginners from stage one, and can really help the specialists.
Please stop pressuring the kids of today. I had to chose a high-school field when I didn't know what I liked, a college speciality when I didn't know what I really wanted, and numerous jobs just because the society told me that to be successful I needed to have a job. When my brain finally started to think by itself (because everybody has got their timing to start thinking for themselves), I realised there had gone by so many years where I could have bee focusing on things I really loved.
Stop limiting, open perspectives and horizons. This "crisis" I hear talking about is in the heads of those who don't allow themselves to be happy and who don't allow themselves to dream.

There. I was so happy to see this talk yesterday that I barely slept. Are there more like me on that side reading this? Raise your hand!
I toast to you!
Love, Lu*

9 comentários:

  1. mão no ar! bem lá em cima!
    falta-me é dar o "salto"...

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  2. YESSS! :D
    "O que fazes?"
    "Tanta coisa!" E é tão bom! Sendo que eu, pessoalmente, ainda estou a desbravar caminho e a ouvir-me. Acho que é preciso equilíbrio para não entrarmos em desgaste ao querer abraçar tantas e tantas coisas. Saber dizer não ao que faz menos sentido pode ser importante para viver feliz no que é mesmo o nosso "lugar doce" :D

    Obrigada pela partilha!
    Catarina
    - Doula e escritora do blog UAUMAMA.BLOGSPOT.PT
    - Costureira e Criativa em www.vermelhomorango.com
    - Técnica de Cardiopneumologia em www.cardiorespira.pt
    Brevemente professora de Yoga!

    ahah! Obrigada!

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  3. Que bom! Afinal somos mais! E ainda por cima, sou boa em tudo o que meto a fazer mas não tenho vocação para nada em especial.
    Tenho apenas um contra, que não é só meu é tb de toda a sociedade que olha para mim:Não tenho uma cara laroca! Tenho um defeito que bem no meio da minha cara e que, por mto que digam que não, fechou-me sempre imensas portas.

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  4. Apesar de ter uma vida bem convencional, e ter um emprego dito "normal", a verdade é que me identifico muito com o que dizes, aliás é uma luta que tenho há muitos anos, e questiono-me porque é que não consigo focar-me numa área a desenvolvê-la. Talvez tenha sido por isso que escolhi o design, podia ser aplicado a muitas áreas e funcionar em publicidade, marketing, editorial, etc....
    Mesmo no meu emprego "convencional" sou designer, assistente de marketing, dou apoio a várias áreas a vários níveis (eventos, promoções, parte administrativa, etc.) e talvez seja por isso que ainda me mantenho firme neste caminho. A coisa mais negativa é mesmo roubar-me tempo para outras actividades que gosto de fazer: desenhar, fotografar, actualizar o meu blog, escrever... Mas isso é a minha (falta de) gestão de tempo e um problema diferente.
    Gosto de ver que cada vez mais há abertura de mentalidades para não sermos forçosamente especialistas em algo, em podermos conjugar uma série de actividades e interesses. Notei isso quando o meu pai me apontou que há 30 anos atrás era mau alguém mudar muitas vezes de emprego, e hoje em dia é o aconselhável...

    E as possibilidades continuam a abrir-se... :)

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  5. Gostei. Nós devemos sempre ir ao encontro dos nossos sonhos:-)

    http://thelifestyleandfashion.blogspot.pt

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  6. Tive de reler isto várias vezes para ter a certeza de que não tinha sido eu a escrever este texto. Não podias estar mais certa. " Esta "crise" de que oiço falar está na cabeça das pessoas que não se deixam ser felizes e que se negam a sonhar". E mais não digo. Continuemos porque havemos de chegar a algum lado e, se não chegarmos, who cares? O que importa é a viagem não é assim?

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  7. De certeza que isto não é sobre mim? Obrigada por partilhares isto.

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  8. Eu. Eu sou assim! Eu sou exactamente assim, meu Deus. Que bom ler-te e saber que existem mais como eu. E que boas palavras essas que me deixaram a alma sossegar e esquecer o arrependimento que muitas vezes sinto por não conseguir escolher o que mais gosto, o que quero fazer. Porque gosto de tanta coisa, quero fazer sempre tanta coisa. Obrigada :)

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