About finding yourself



Hoje recebi uma mensagem privada no facebook do Doce.
Perguntava-me se estava tudo bem porque há muito tempo que não postava nada de novo.
Respondi com o coração… que estava a passar por uma fase de reestruturação, que por vezes é preciso parar para depois regressarmos em força. A resposta que obtive depois, fez o meu dia pela primeira vez. Porque hoje o meu dia ganhou significado por três vezes no total.
Essa pessoa respondeu-me em agradecimento. Que eu devia levar o tempo que precisasse e que na sua vida eu já tinha sido um exemplo de inspiração e força. Que sem saber, eu já a tinha ajudado muito.
Nestes últimos tempos tenho-me sentido uma pessoa de sorte segundo os padrões considerados normais pela sociedade. Tenho um namorado maravilhoso, estou a menos de um mês para nos casarmos, tenho uma casa bonita, dois gatos maravilhosos e um emprego meu, que cresce e floresce que me faz feliz. Porque raios teria eu razões para parar o Doce por algum tempo? Pois digo-vos que o Doce só acontece quando cá dentro as coisas estão equilibradas, e a verdade é que nestes últimos meses também me senti um pouco a descarrilar. Preocupações parvas mas que considero tão importantes… Tenho pensado muito em mim e nesta coisa do casamento. Pela primeira vez assustou-me a ideia do “pertencer a outro”, do “ser oficialmente de outra pessoa”. Não me interpretem mal, não estou com second thoughts nem estou a ponderar desistir de nada. O Miguel é o homem da minha vida. Quero casar-me com ele e Ponto final. Mas por vezes dentro deste massivo countdown até ao Dia penso “e se casar der cabo da pica que temos um pelo outro?”. E se o “pseudo-oficializar” da coisa influenciar o desejo, a paixão que temos um pelo outro e do outro lado da vida a dois a coisa perder a chama? (digo pseudo-oficializar porque é mais do que oficial que estamos juntos, odeio a ideia do contrato mas adoro a ideia da promessa de amor para sempre)
E se eu me perder na minha identidade tão própria porque me esqueço de mim? E se nos tornarmos daqueles casais que se sentam à mesa num restaurante e que não têm nada para contar um ao outro e passam a refeição calados e perdidos nos seus pensamentos? E se eu me desleixar na minha imagem, me deixar engordar deixar de gostar de mim e deixar de estar saudável, parar de fazer coisas que são tão minhas?
A mensagem desta manhã, desta leitora do blogue foi uma chapada que eu precisava. Obrigada.
Relembrou-me de mim, e da minha vontade de nunca parar.
Se seguem o meu instagram, repararam que fiz uma viagem (estou neste momento no voo de regresso). A viagem surgiu espontânea. O Miguel tinha um trabalho como técnico de som na Hungria e comprou a passagem para mim. Sendo que o meu trabalho estes dias seria a editar e não a fotografar, uma pequena extravagância destas era mais do que necessária para me afastar de casa, da rotina e da preparação do casamento.
Oiço muitos casais de amigos meus que já se casaram e todos me contam de como se chatearam antes dos casamentos por milhares de temas. Dinheiro especialmente, mas depois, também muita coisa parva.
Nesta viagem reapaixonei-me pela pessoa com quem escolhi partilhar a minha vida. Tivemos discussões normais de casais, sim, mas também fomos muito, muito, muito patetas. Sempre que tivemos milhares de cadeiras disponíveis para nos sentarmos, fiz questão de me sentar sempre ao seu colo (na verdade até já ser a coisa mais parva do mundo e já nos rirmos muito disso). Pregámos rasteiras e demos calduços um no outro como quando nos conhecemos e éramos simplesmente amigos. Filmei-o a dormir de olhos abertos, gravei o seu ressonar e prometi um dia usar aquilo como chantagem caso precisasse. A sua vingança está prometida e mal posso esperar para ver em que situação é que me vai apanhar. Dançámos no metro, rimo-nos do constante mau feitio de todos os empregados de mesa e de bar de Budapeste, andámos de bicicleta e de barco.
Acreditei novamente, durante estas pseudo-férias, que não seremos desses casais solitários no restaurante. Pelo menos enquanto a parvoeira, a criancice e o amor ainda morarem cá dentro. Hoje, esta realização fez o meu dia pela segunda vez.
Em escala para casa (ontem), dormimos uma noite em Barcelona. Reencontrei a minha amiga Ana que conheci em Erasmus em 2006. Não parámos de nos abraçar e de dar beijinhos uma à outra. É bom ver como embora não estejamos sempre juntas, simplesmente na vida há quem tenha a sorte de ter alguém cujo carinho não muda. E eu sou uma dessas sortudas. Não é preciso estar sempre lá para saber que o sentimento nunca foi embora.
Ao almoço hoje, já depois da mensagem da leitora do blogue e prestes a darmos um último abracinho antes de embarcar, a Ana deu-me um postal. Senti que fechei outra janela que me causava ansiedade na vida. Não só pela questão do casamento que vos escrevi acima, que com este regresso sei que ficou arrumado, mas também no que toca ao meu EU.
Esta viagem teve uma razão de ser na minha vida, eu acredito muito nestas coisas.
Esta viagem serviu para me mostrar que eu e o Miguel temos um futuro bonito pela frente, e que eu serei sempre eu, e que serei sempre minha. Que não é a entrada deste homem que vai mudar estas coisas… até porque na verdade este homem já está na minha vida há quatro anos e sinto que só melhorei em milhares de coisas. Não é um casamento que há de mudar as coisas se nós não quisermos que mudem. No nosso dia vou prometer-lhe amor, não vou embarcar para outro planeta e fechar-me em casa a sete chaves. Acredito agora que serei ainda mais livre, porque ele me faz sentir assim. Única, especial e acarinhada.
Na mensagem da Ana, ela agradecia-me por lhe trazer sempre ao de cima o que de melhor há nela. Que por minha causa, desde 2006, ela era mais corajosa e seguia os seus sonhos. Enquanto lia, eu não conseguia parar de chorar. Não só era o reforço da mensagem desta manhã como de facto estava ali um sinal a ensinar-me a não temer o desconhecido que aí vem. Que para tudo dar certo, só tenho de seguir sempre o meu norte, os meus instintos e continuar a acreditar que coisas boas vêm para quem luta por elas. No amor, na amizade, no trabalho…
Eu que me sentia a perder-me encontrei-me no mais inesperado e simples. Ela fez o meu dia pela terceira vez, e eu que já me sentia com sorte de ter tantas coisas boas visíveis, agora tinha ainda mais coisas boas no coração. De facto, na vida não há nada melhor do que o amor e a amizade. E se cuidarmos destas duas coisas, tudo o resto encaixa. Tudo o resto resulta.
Estou de volta, meus doces.
Love, Lu*

PS: se este post não vos fizer sentido nenhum na cabeça, por favor deixem passar. Estou em altitude, bebi vinho, café e comi M&M’s. Não tenho quase horas de sono em cima e estou com o corpo durido de tanto andar. Só consigo pensar na minha casa, na minha cama, no gato Xamu e no gato Rissol. Oh, isso tudo misturado e se o Miguel fizer o jantar (ou encomendar pizza, que é a minha comida preferida), tenho o dia feito por 4 vezes.

PS2: Só porque sinto que torceram o nariz quando leram sobre a pizza ser a minha comida preferida, vejam pelo lado positivo: ao menos facilito-vos as decisões quando me convidarem para jantar. Pizza faz-me muito, muito, muito feliz.

PS3: Massa fina (integral seria mesmo fixe), extra queijo, azeitonas, cebola, cogumelos, rucula e tomate cherry. Obrigada.

I got a private message on the Doce FB page today.
A Doce blog reader was asking if everything was ok, since I hadn't posted anything in a while.
I answered from the heart... that I was going through a restructuring phase, because sometimes we have to stop for a bit and then come back strong. The answer I got after was a thankful one, and it made my day for the first time. Because my day gained a meaning for three times today. This person said that I should take my time, and thanked me for having helped her with inspiration and strength with my posts.
Lately I have been feeling like a very lucky person by the standards considered normal by society: I have a wonderful boyfriend, we'll get married in less than a month, we have a beautiful home, two wonderful cats and a job, which grows and flourishes every day and that makes me happy. Why the hell would I have reasons to stop writing on Doce for awhile? First, let me tell you that Doce happens only when inside me things are balanced, and the truth is that for the past month I've felt weird. Silly concerns but that were so important to me... I've been thinking a lot about me and this marriage thing. For the first time I got scared with the idea of ​​"belonging to another", of "being officially of someone else." Don't get me wrong, I'm not having second thoughts nor am I considering giving up anything. Miguel is the man of my life. I want to marry him and that it the truth. But sometimes within this massive countdown until The Day I wondered "what if marriage kills the spark we have for each other?". And what if the "pseudo-official" thing influences the desire, the passion we have for each other and on the other side of this life together things just lose the flame? (I say pseudo-official because it is more than official that we're together, we hate the idea of ​​the contract but love the idea of ​​the love promise)
What if I get lost in my own identity and forget about me? And what if we become one of those couples who sit at the table in a restaurant and have nothing to tell each other and spend a quiet meal lost in our thoughts? What if I neglect us and myself, put on weight, stop liking me and no longer do healthy things, stop doing things that are so mine?
The message this morning, from this sweet blog reader was a slap that I really needed. Thank you.
She reminded me of me, and of my desire to never stop.
If you follow my instagram account, You might have noticed that I've been on a trip (I am currently on the return flight). The trip happened spontaneously. Miguel had a job as a sound engineer in Hungary and bought me a ticket. Since my work these days would be editing and not shooting, a small extravagance like this was more than necessary to get away from home, routine and wedding planning.
I've heard about so many couples who recently got married and that went into fights before their weddings for thousands of reasons... Specially money, but then also a lot of other silly things.
On this trip I fell in love again for the person I chose to share my life with. We had normal couples fights, yes, but we were very, very, very silly and happy. Whenever we had thousands of seats available to sit on, I made a point to always sit on his lap (it actually turned out to be the silliest thing in the world and we had huge laughs about it). We made each other stumble and hit the back of each others heads just as when we met and were just good friends. I filmed him sleeping with his eyes open, and I recorded his snoring and promised to one day use it as blackmail if needed. His revenge is promised and can not wait to see the silly things that will come out of it. We danced on the subway, laughed at the bad temper all the waiters and bar tenders of Budapest had, we road bikes and a boat.
It came to me during this pseudo-vacations that we will never be like those lonely couples in restaurants. At least while the silliness, the childish behaviour and love still prevail inside us. Today, this realization made my day for a second time.
Before heading home, we made a stop in Barcelona. We stayed with my friend Ana whom I met during my Erasmus in 2006. We (me and her) cuddled and hugged each other all day. It is good to see how even though we are not always together, in life there are just those people who have the fortune to have someone whose affection never changes. And I am one of those lucky ones. No need to always be there to know that feeling never went away. I just love that girl.
At lunch today, Ana gave me a postcard. Not only did this marriage issue go away, as I also found myself in her letter.
This trip had a reason to happen, I really believe this things.
This trip showed me not only that me and Miguel have a beautiful future ahead, but that I'll always be me, and I'll always be mine. It's not marrying this man what will change these things up... because in fact this man has been in my life four years and I feel like I've only improved in thousands of things. On our day I will promise him love, and I believe that I will be even more free, because he makes me feel unique, special and cherished.
In Ana's message, she thanked me for always bringing out the best in her. Thanked me because since 2006, she became braver than ever and followed her dreams. As I read, I couldn't stop crying. Not only was this the reinforcement of the message from this morning but in fact this was a sign teaching me not to fear the unknown that is coming. For all that to work, I just have to always follow my north, my instincts and continue to believe that good things happen to those who fight for them. In love, in friendship, at work ...
I felt like I was losing myself before, but then, I found myself in the most unexpected and simple things of life. Ana made my day for the third time. In life, there is nothing better than love and friendship. And if we take care of these two things, everything else fits. Everything else follows.
I'm back, my sweet friends.
Love, Lu *

PS: If this post doesn't make any sense to you in your heads, please let it go. I am in high altitude, I drank wine, coffee and ate M&M's. I hardly slept on the last few days and my body hurts from all the walking. All I can think about is my home, my bed, my cats Xamu and Rissol. Oh, all of that, mixed together and having Miguel cooking dinner (or ordering pizza, which is my favorite food), and I'll have made the day for 4 times today.

PS2: Just because I feel like you made weird faces when you read about pizza being my favorite food, look at it from the bright side: at least I'm making it easy for you when you invite me to dinner. Pizza makes me very, very, very happy.

PS3: Thin crust, extra cheese, olives, onion, mushrooms, arugula and cherry tomatoes. Thanks.

10 comentários:

  1. Olá Ana Luisa,

    Sou leitura há já algum tempo e hoje fez sentido comentar.
    Eu e o meu namorado (continuo a chamar-lhe isso, por muito que me "chamem a atenção") estamos juntos há 11 anos e meio. No dia em que comemoramos 10 anos casamos. Eu NUNCA quis casar, sempre disse que não o faria, mas depois de ele "pedir" passou a fazer sentido e foiuma bonita festa com amigos para celebrar a nossa união (foi esse o nome que demos). Mas desde o primeiro dia em que decidimos faze-lo combinamos que caso alguma coisa mudasse por assinarmos um papel, no dia seguinte divorciavamo-nos hehe

    É uma especie de piada mas transmite o que penso. Nada deve afectar a relação entre duas pessoas. 1 ano e meio passou desde a assinatura desse papel e posso dizer que NADA mudou, rigorosamente NADA (excepto o estado civil claro). as discusões são as mesmas, os problemas e principalmente o Amor e a Paixão.
    Quem constrói e cultiva as relações são as pessoas, e só elas as podem estragar.

    Vais continuar feliz, tenho a certeza :)

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  2. Nada vai mudar. O Casamento é uma celebração... não vais acordar no dia seguinte diferente.
    Eu não casei. Estamos juntos há 13 anos mas digo sempre que é meu marido porque o é. As vezes gostava de me ter casado, de ter feito uma festa enorme com a família toda e amigos...mas não houve oportunidade e não é por isso que fico triste, pelo contrário. Temos uma história. E vocês têm a vossa.
    Durante a vida vão aparecer chatices, ás vezes sem sentido nenhum... isto porque as vezes estamos cansados do dia a dia e descarregamos em quem gostamos mais. Quem está ao nosso lado. Depois passa. As pazes fazem bem!
    Depois vem os filhos. Vão se chatear porque pensam de maneira diferente em certas ocasiões... mas são coisas naturais. Há que saber respeitar o espaço e as ideias um do outro. Há que saber conversar.
    Continuem assim, brincalhões e felizes e vão ter uma vida maravilhosa pela frente!

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  3. Querida, este post faz todo o sentido. Obrigada obrigada obrigada. Mesmo.
    Por ires partilhando o teu humanismo, a tua alegria de viver e também que por vezes há reavaliações que fazemos, questões que temos, e que não há problema nenhum nisso. És uma inspiração para a leitora que te escreveu, para mim, e com certeza para muitas mais pessoas.

    O teu dia de casamento vai ser um dia onde vocês vão celebrar o vosso amor, e estou ansiosa por continuar a acompanhar deste lado tudo o que a vida te reserva. Com a certeza porém de que a vida te reserva muito momento de felicidade e harmonia.

    Beijinhos

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  4. Opá gostei tanto deste post! Ando há demasiado tempo sem te ver mas já percebi que a vida anda agitada para ambos os lados. Fico muito contente que voltes, estava com saudades de te ler.
    Welcome back baby!
    Até breve**

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  5. Adorei Ana. Também quero muita parvoeira, criancice e amor. Beijinhos*

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  6. É sempre bom ler-te. Ler-te é tocar a Verdade, Simplicidade, Humanidade que há em ti, e em cada um de nós.
    Ler-te e ler os comentários, fez-me sentir "normal" (ufa!), fez-me sentir em Casa (!).
    Desejo que continuem a ser Casa um para o outro, e para tantos à vossa volta. Há algo mais Bonito que o Amor em forma de cuidado, de criancice, e loucura? :)

    Continuamos a caminhar, juntos!
    beijinhos, ate breve

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  7. Não imaginas o berro que mandei quando vi que finalmente tinhas postado algo e não imaginas a felicidade que me inundou quando o comecei a ler. É bom saber que tocamos alguém que tanta vez nos tocou a nós. É bom saber que fui um pequeno contributo para te pores "na linha". Tu pareces ser uma pessoa linda. Escreves com amor e melhoras o dia de qualquer pessoa que aqui venha ler-te, tenho a certeza. És uma inspiração. Foste também a chapada que precisei quando toda a gente me disse que eu precisava de ter um canudo na mão. Apercebi-me que há coisas mais importantes e que não era a unica a pensar assim. Parei de estudar por dois anos. Nesses anos trabalhei no que me apetecia, aprendi mais e mais sobre o que me dá mais prazer, descobri novas paixões e viajei. Viajei e encontrei-me. E agora vou, finalmente, estudar aquilo que me interessa. Não porque preciso de um canudo, mas sim porque me faz sentido. E quando toda a gente me criticava eu lia-te e percebia que era possível ser feliz de outras maneiras. E mesmo a milhares de km de distância vinha sempre cá ver o que tinhas escrito, as coisas bonitas que tinhas para nos dizer ou para nos mostrar. Não te conheço, se calhar até podes ser a pior pessoa do mundo (não acredito :p), mas ler-te é vir buscar um bocadinho de amor e isso faz-nos tão bem! Tu fazes bem a pessoas que nem conheces, não é optimo? Todos temos na vida momentos de incertezas, é natural. E tal como te disse, leva o tempo que precisares, eu espero por ti e tenho a certeza que todos os outros também. Apenas não mudes, mantém-te a Lu linda que apresentas ser e continua a apaixonar quem não te conhece com essa força e esse amor que nos passas através das tuas palavras.
    Obrigada por continuares por aqui, eu prometo continuar. Beijinhos!

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  8. És uma inspiração. Ponto.

    E alinho na cena da pizza com massa integral quando vieres a Aveiro.

    P.S. Sou a mana de quem te vai filmar o wedding :)

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  9. Oh my. Vieram as lágrimas aos olhos a ler isto. Porque também eu (ainda a viver na Covilhã) li o teu blogue e me inspirei a seguir uma vida diferente da que tinha. Identifico-me com tanto que escreves aqui!

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