Oh hi there! I'm on fire!

A ilustração é da talentosa Luisa Roldan, e foi um dos meus presentes de casamento! (Também há uma linda do Miguel)

Há muito que se lhe diga quando descobrimos que o que somos tem um nome. Eu descobri há relativamente pouco tempo que sou o que se chama de multipotentialite. Foi como que um alívio descobrir que não estou sozinha na minha loucura saudável que tanta dor de cabeça me dá, de não ter só um "one true calling", ou "uma só vocação". O problema de se ser uma multipotentialite tem a ver com a ansiedade. Ansiedade de gestão dos milhares de projectos que temos (e tentar criar mais espaço num dia para os que estão por meter em marcha), ansiedade por querermos ser bons em todos, ansiedade no que a "sociedade diz que é normal", e não é normal cansarmos-nos de algo que nos está a correr tão bem assim que estabiliza e entra em velocidade cruzeiro para começarmos outra coisa logo depois.
Eu deparo-me com problemas a este nível pelo menos de 6 em 6 meses. Sim é óptimo, dá-me a chance de me reinventar, de me testar, de me pôr à prova constantemente, mas também cansa o corpo, a mente e o espírito. Por vezes tira-me o sono à noite, faz-me questionar-me porque é que não sou "normal" com um emprego das 9h às 17h. Faz-me pensar que não me especializo em nada e que estou constantemente à procura da minha vocação e ela não aparece e que sou muito estranha por isso.
Ando numa fase destas agora mesmo, e é isso que me tem mantido afastada do doce. Porque se bloqueio no trabalho, bloqueio em tudo, e o que mais gosto, e os de quem mais gosto, são quem leva por tabela. Estou farta de saber que isto é normal, estou farta de ver isto a acontecer-me e até pressinto como quando me está para chegar o período e penso "lá vamos nós outra vez". Então, estou nessa fase agora. Que é assustadora e ao mesmo tempo entusiasmante! Oh, eu sei que o que vocês querem é ver as fotos do casamento, e porque é que eu ainda não comecei a postar sobre isso, e sou mesmo uma grande chaga. Mas existem razões: Primeiro, estamos (eu e a Marta) a tentar submeter o casamento à Rock N' Roll Bride, e o blogue quer exclusividade do material. Logo, se posto aqui, não posso postar lá. E depois, não acho que seria sincera convosco em estar a partilhar prelim pim pins e magia numa fase em que me sinto nublada. Não sou assim. Não sou a pessoa que posta que a vida é maravilhosa e que depois está a chorar debaixo dos lençóis, e não consigo estar agora a falar-vos disso quando preciso de estar com os chakras alinhados para verdadeiramente vos passar o quão mágico foi o dia 12 de Setembro! Ora bolas... quando me lembro até tenho vontade de chorar de alegria! Mas posso contar que aguentam só mais um bocadinho? Prometo que em breve vêem tudo... desde a preparação às ideias loucas, aos inesperados e outras coisas mais.
Continuando o meu desabafo: A época de casamentos terminou para mim. NUNCA na minha vida esperei ter um ano tão bom a fotografar. Estive em festas tão mágicas, que muitas poderiam bem ter sido o meu próprio casamento. Corri o país de Norte a Sul e tive até a oportunidade de ir fotografar a Itália um dos casamentos da minha vida. Estou de rastos. É um trabalho muito, muito bonito, que adoro com todas as minhas forças, mas também cansativo em termos de horas, criatividade, energia, edição (eu entrego sempre entre 1500 a 1700 fotos editadas). Depois, ajudei as minhas noivas em níveis que nunca achei serem possíveis a uma simples fotógrafa: maquilhei, penteei e vesti quando mais precisaram, acalmei mães, avós, e até ajudei a que acontecesse um casamento quando a senhora do civil não apareceu (oh, isso um dia dará uma boa história).
Para além da Starling, tento gerir algum trabalho com a Giggles, fiz algumas tours, ainda que não tantas como no ano passado por falta de tempo, estou aqui no blogue, organizei o meu casamento, tive o que se chama de "post wedding blues", que é algo de muito interessante e para o qual nunca ninguém me tinha preparado e comecei a agendar casamentos para o ano que vem. Tudo isto parece maravilhoso, e é, de facto, então porque é que eu estou ansiosa? Porque é que sinto que a minha vida está a precisar de mais um rumo, porque é que me sinto perdida? E, porque é que nestes exactos momentos, em que me sinto meio em baixo, me surgem sempre na vida as propostas que podem virar tudo do avesso? É mesmo gira a forma como este planeta me apresenta as coisas novas em que me meto. Neste momento em que vos escrevo acho que vou ter um ataque de qualquer coisa entre um colapso nervoso e gritos de histeria e de felicidade. Como estou no meu local de trabalho, o Coworklisboa, isto tudo manifesta-se apenas em eu estar a transpirar e a escrever furiosamente, daí que perdoem algum erro ou alguma falta de sentido no meu raciocínio. À parte dos casamentos que já fechei para o ano e que vou com muito amor e gosto honrar, não sei o que vai acontecer-me no próximo ano de 2016. Continuo mais do que disponível para os agendar, até porque há 3 anos e meio que trabalho árduamente para chegar onde estou hoje, eles são, neste momento, a única certeza que tenho. De resto, preciso de fechar-me entre quatro paredes, ou de ir para um vale respirar ar puro e pensar, e tentar re-estruturar a minha vida para o ano que vem. É um misto de tristeza em abdicar um bocadinho de algumas outras coisas que gosto em detrimento de uma maior (não, não estou grávida), criar espaço para o que pode estar para vir mas que não tenho a certeza de que venha a vingar. É olhar para o meu futuro e ver que ele está nublado, embora seja um nublado com cores giras. É que tenho-me sentido perdida ultimamente, e foi-me hoje feita uma proposta de trabalho daquelas que acho que nunca mais na vida terei. Daquelas que são dos meus sonhos mais antigos.
Love, Lu*


There is much to be said when you find out that what you are has a name. And I discovered the name that best translates who I am not a long time ago, and that name is multipotentialite. It was kind of a relief to discover that I am not alone in this healthy madness that I have and that brings me so much headaches... the fact that I feel like I don't have just one true calling, but several maybe.
The problem in being a multipotentialite has to do with the anxiety that I feel. Anxiety managing the several projects that I am in (and trying to create the space to fit some more in when everything is already so tight), anxiety in wanting to be good at all of them, anxiety because society sometimes is a bitch and has pre-conceived ideas on what is "normal" and it is not normal for society to get tired or leave even though we love (and its being a successful) project to start something right after.
I deal with this kind of frustration around every 6 months. Yes, it is great cause it gives me the chance to re-invent myself, it tests me in many levels, but it's also very tiring... takes my sleep away sometimes for nights in a row. It's so unfair that I only get to live once when everything I wanna do should be lasting at least 6 lifetimes. It's so, so unfair. Sometimes I question myself why am I not "normal" and have a job from 9 to 5 with no extra worries, no bringing work home. Why don't I just specialise in something instead of always starting new things, getting good at them and then dropping them?
I am living it again right now, and that's what's keeping me away from the blog. Because if I get blocked at work, I get blocked at everything else and what I love the most, and those whom I love the most end up being the ones who are left behind a bit.
I should be used to it, I know it is a constant in my life, I can even tell when its about to start, just like when I'm about to get my period. It's like, "OOoops, here we go again", and I start rethinking my life. Its scary but so exciting at the same time.
Oh, and I know, most of you thought I was about to show you wedding pictures when I started this post, but no, not yet, and there are two reasons for that: First, me and Marta would love for it to get a chance to be featured on Rock N' Roll Bride, and it is a blog that likes to have things first hand, exclusive, so if I post it here, I can't get a chance to have it there (and we would LOVE THAT, since we were so inspired by it)... second, I think it's not fair for you, having me talking about magic when I'm feeling so confused in other levels. I am not the kind of person who talks unicorns when in reality is feeling trolls. I really want to have my chakras aligned when I tell you all about the most magical day I've had so far. I promise I'll let you know everything there is to know about our September 12th, but just be a little-little bit more patient. ok? :)
Alright, continuing: Wedding season has just ended for me. NEVER in my life had I thought I could have such an amazing year as a wedding photographer. I went to weddings so magical that could perfectly have been my own. I ran from north to south of the country, and I was even lucky enough to have the chance to be taken to Italy to photograph one to the weddings of my life. I am exhausted. It is the most beautiful job, but also very very tiring. All the hours, the attention, the creativity, the editing hours (I normally deliver 1500 to 1700 edited pics), plus, I helped my brides in ways I never thought I could, like redoing their make ups, hair, help calming moms and grand mothers, making a wedding actually happen when the celebrant didn't even make it to appear (oh thats another entire story).
Besides Starling, I did some Giggles, some tours (not as much as I'd like to since I had no time during the summer), I planned our wedding, suffered from something I didn't knew existed, called "post wedding blues", and have already started to fill my agenda on next years weddings. This all sounds amazing, I know, so why do I feel so weird? Why have I started to feel like I need more? And why is it that life always brings me new things when I am feeling so lost? It is so crazy that at this exact moment that I am writing, you I feel like I am somewhere between a nervous breakdown and a hysterical happiness attack. Since I'm at work, and I'm discrete, I'm just sweating and tipping like a lunatic, so pardon me if I make any writing mistakes or make no sense at all.
Appart from the weddings that I've already booked and the ones I'm waiting to have an answer on, thats the only thing I know for sure about next year. For the rest, I really need to close myself somewhere quiet, or go to the countryside and breathe some fresh air and think. What am I gonna do next? I am struggling with maybe having to let go somethings I love for the sake of something bigger (no I am not pregnant), and having to make space in my life for what might be coming my way and that I have no idea if it will succeed. Its looking at my future and seeing it foggy, although the fog has some fun colours (no I'm not on drugs either).
I had been feeling kinda lost lately, and then, today, I was offered a job opportunity that I believe I'll never have again in my life. Its one of my biggest dreams maybe coming true.
Love, Lu*

10 comentários:

  1. Que bom saber de ti! :)

    O que quer que seja será feito com amor, disso tenho a certeza.

    Felicidades Ana*

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  2. Luísa, parabéns e boa sorte!
    E obrigada por me mostrares que está coisa tem um nome que nem eu conhecia!

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  3. Luísa, parabéns e boa sorte!
    E obrigada por me mostrares que está coisa tem um nome que nem eu conhecia!

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  4. Querida Ana Luisa,

    Apenas me ocorre dizer-te isto: Quem pensa fora da caixa, é quem eventualmente acaba por definir o que é "normal".
    Ser-se genuíno e sincero connosco é importante, e tu, para mim és normal, mas em modo super-heroína. Porque tens criatividade para dar e vender, e segues os teus sonhos.
    Força miúda.

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  5. Adoro ler o que escreves e fico contente por voltares a dar notícias aqui :)
    Identifico-me contigo em algumas coisas, uma delas é isto de que falaste hoje, o gostar de várias coisas, não ter a certeza de ter descoberto "a" vocação ou mesmo de essa vocação ter de ser só uma... Compreendo-te e também não me sentia "normal" por isso fico contente por descobrir hoje que esta condição tem nome e que afinal, não é tão "anormal" assim! Também sinto que o emprego que tenho não me realiza nem me dá felicidade, mas dá-me a segurança que preciso não para mim mas para as minhas filhas... Se fosse só por mim, arriscava e não me obrigava a continuar num sítio onde já não posso evoluir ou aprender nem tão pouco sinto que seja a minha área... Mas não consigo dar o "salto" porque sinto o peso da responsabilidade nos meus ombros... Vou fazendo algumas coisas de que gosto e fico inspirada com pessoas como tu, que têm a coragem de seguir os sonhos e o coração, mas por enquanto fico-me por aqui... Isto tudo para dizer que não estás sozinha, há mesmo mais pessoas como tu, e que não se trata de uma questão de "normalidade" mas sim de liberdade e felicidade! Obrigada por partilhares a tua história de vida e por seres sempre uma inspiração :)
    Um beijinho para ti e que tudo corra bem, seja o que for que decidas!

    http://eassimsoumaisfeliz.blogspot.pt/

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  6. Força nisso!... que daí só podem sair coisas boas ;)

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  7. Olá Ana Luísa!
    Eu acho que esta tensão que falas anda no ar e está a afectar várias pessoas!
    Eu estou nessa roda viva que falas. Ando há umas semanas a sentir que preciso de ir para o meio do campo (na verdade o que me apetece mesmo é ir para pastos com vacas ?! lol) e estar sozinha, comigo. Sem compromissos, sem responsabilidades, sem pressões. Completamente fora da rotina e deste cansaço.
    Percebo-te tão tão bem. Também eu sinto já o 2016 a espreitar e sinto-o tão positivo, tão cheio de coisas WOOOWWW na minha vida. Sinto que preciso limpar-me, despir-me, focar-me e estar receptiva. A vida é tão perfeita, tão certa. Deixemo-nos ir no fluxo que é a vida. Com a certeza de que estamos no nosso caminho e a perspectiva com que olhamos e "catalogamos" as coisas é inteiramente escolha nossa. Ver nublado ou ver nublado com cores bonitas? A segunda!! :D

    Abraço-te e até para a semana!! Vemo-nos no Teatro da Garagem :)*

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  8. Adorei a tua mensagem! Obrigada!!
    Deixaste-me confusa com a parte do teatro da garagem... :)
    Eu tenho algo no Teatro da Garagem?

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  9. Sabe, eu não sou o tipo de pessoa que segue um manual de instruções (raramente leio um) embora as vezes me sinto convencida de que deveria. Eu amo seu trabalho, mas não sigo arduamente, percebi que tenho ele como uma pílula de animo. Nos últimos 3 anos da minha vida ando pendurada numa corda e sempre que ela está por um fio eu penso: Vou ler o doce para o meu doce, pra ver se tenho alguma inspiração. E é giro! percebo que olho diferente para as cosias, sinto diferente, ME sinto diferente (melhor). A impressão que tenho é que podes fazer qualquer coisa e vai sair giro, porque é tão seu, tão genuíno... Acho lindo a forma como compreende e escuta a si mesma, até quando está sem saber o que vai ser.. Parabéns! e Obrigada por melhorar o meu dia ;)

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