Hey you guys!


Senti uma nostalgia enorme ao abrir o blogue para escrever.
Há quanto tempo é que já não vinha cá à séria? 3 meses? Pareceu-me uma eternidade... e na verdade, acho que já nem sei como é que isto se faz.
Hoje senti-me finalmente com a energia e a disposição certa para vos fazer um relato, que quero tentar fazer com que seja curto, mas não vos prometo nada. :)
Aviso: isto vai ser uma salganhada de sentimentos a sair. Pode ter erros ortográficos, coisas sem sentido, e um ou outro palavrão.
Descobri nos últimos tempos alguns conceitos que não me diziam nada... até os sentir na pele. O ano de 2015 foi incrível em tudo: Em trabalho em campo e em pós-produção, em dureza, em planeamento e organização de um dia especial, em decisões de vida, etc, etc, etc. Sempre me vi como uma máquina que não pára, e acreditem, estou habituada a ritmos loucos, a nunca descansar. Hoje estou aqui, e daqui a pouco ali, e faço isto, edito aquilo, ainda consigo ir apanhar não sei o quê não sei onde e voltar a tempo de isto e mais aquilo, e se dormir só umas três horinhas é o suficiente, e amanhã repete-se tudo. E a vida decidiu, em meados de Outubro do ano passado, mostrar-me o conceito de burnout. Não só corporal/físico, mas emocional e de compaixão. Sim, descobri que existe o conceito de compassion burnout, e que podemos ir-nos emocionalmente abaixo por ajudarmos outros non-stop. Por darmos tudo o que temos em prol da felicidade da alheia... e não sabermos quando virar essa energia também para nós e para o que o nosso corpo precisa. Dar, dar, dar, dar... e por vezes chegava à cama e não tinha um fio de mim em mim. Não percebia porque é que me sentia tão em baixo quando tinha passado o tempo a praticar o bem. A resposta era simples, tinha oferecido energias sem nunca parar um bocadinho para meter a minha bateria a carregar.
Sempre que chega ao final do ano, começo a fazer (como toda a gente), alguns balanços, e no final de 2015, eu não tinha energia sequer para isso. As resoluções para 2016 não chegavam e tinha um nevoeiro enorme à frente. Tinha sido um ano extenuante... e agora? O que é que eu queria? Senti-me perdida e cansada, exausta, esgotada. Não tinha vontade de ajudar e sentia-me mal por isso.
Depois, começaram a surgir algumas luzes no fundo do túnel, o Miguel estava com possibilidade de ir de novo para Angola, e eu não sabia se queria ir com ele ou não, depois o que é que eu fazia aos meus projectos, e se ficasse, a que é que eu queria dar continuidade, e que seca que seria a vida aqui sem ele a aquecer-me os pés todos os dias, e a dizer-me que ia ficar tudo bem. Grande parte da confusão que sinto, ou melhor, toda a confusão que sinto está simplesmente e unicamente na minha cabeça. Eu meto metas e pressão em mim mesma constantemente. Sou uma perfeccionista, e o sentido de responsabilidade para com os outros leva-me a meter tudo de parte para este único fim. Durmo com sentimento de culpa quando ainda não entreguei algum trabalho, não descanso enquanto não me dizem que está exactamente como tinham imaginado e simplesmente não relaxo.


Ao descobrir toda esta realidade, abri o meu bloco de notas de sonhos por concretizar, e comecei a ler aquilo que tenho escrito há já tanto tempo. São coisas que já partilhei por aqui no Doce, como um dia ter uma pastelaria ou restaurante, trabalhar fora durante um ano, ter o meu próprio cantinho para poder receber os meus clientes, criar mais tempo para mim e não me sentir mal com isso.
Em Novembro decidi abrir os braços para o que a vida trouxesse. Não tinha energia para começar nada de novo, então, a vida teria de trabalhar para isso. E do nada, cai-me uma oportunidade. Foi-me oferecida a possibilidade de ter um restaurante. Assim, do nada, numa reunião. Num local espectacular, com as obras estruturais garantidas. Eu tinha um mês para decidir se sim ou sopas. Se sim, teria de mobilar, trazer electrodomésticos, dar asas ao conceito acabadinho de aprovar, e começar a desenvolver tudo... Ora, eu não sou nenhum ás da restauração. Na verdade, não percebo um chavo a não ser de comunicação, que como que nem uma alarve e era uma menina com um sonho bonito no bolso. Novembro foi um mês de decisões. Ter um restaurante não só era uma grande responsabilidade como poderia vir a trazer a estabilidade que eu sei que o meu grilo falante, a minha consciência, anda a pedir já há quase 5 anos, desde que comecei a trabalhar para mim. Seria talvez a oportunidade de me fixar em algo mais físico, com esperança de garantias de estabilidade monetária, e quem sabe até, começar a nossa família mais cedo do que teria alguma vez idealizado (e ele também). Por experiência, dois anos são o tempo que leva a qualquer novo projecto para estabilizar. Seriam dois anos intensos a tentar solidificar uma marca bonita e saborosa. Dois anos disto e daquilo... a minha mente flutuava nos prós e nos contras, e depois olhava para o bloco dos sonhos e via que não era esta a ordem que supostamente devia estar isto a acontecer. Mas era uma coisa tão boa... "Anda lá Ana Luisa, não caminhas pra nova, aceita isso e pronto!", "Mas... eu queria tanto ainda passar um ou dois anos lá fora a ter uma experiência internacional, e a Starling, que está finalmente com trabalho constante?", "Qualquer dia o Miguel pede-te pra ter filhos e tu andas nesta vida louca. O que é que vais fazer? Metê-los na escola com 15 dias?".
Ao mesmo tempo que a minha cabeça deambulava, tinha imenso trabalho para editar, alguns vídeos institucionais que andava a filmar, e ainda recuperava de um ano sem férias, depois de um casamento que deu muito trabalho, e do qual não descansámos. Comecei a trabalhar logo na Segunda-feira seguinte ao nosso grande dia, e nunca mais parei.
Raios, vou aceitar. Bora Ana Luisa, levanta o cu da cadeira e vai dizer que aceitas ter o teu restaurante. É o mais correcto, e o passo normal a seguir. Tens quase 30 anos, tens de estabilizar, tens de te fixar numa cena que dê dinheiro e tens de crescer de uma vez por todas.
Levanto-me da cadeira, começo a andar na direcção das pessoas a quem tinha de dar resposta, e sou interrompida por um antigo professor meu. "Ana Luisa, vim despedir-me de ti!". "Hein? Mas despedir, para onde é que vais?". "Pah, decidi seguir os meus sonhos, vou morar para a Tailândia, vou fazer ioga, e vou ser feliz".
****Boom. Big bada-bum. Que-raio-é-que-tu-estás-a-fazer-Ana-Luisa-estabilizar-ainda-não-é-para-ti*** - eu pensei para comigo mesma.
Despedi-me dele, fui para a casa-de-banho, e chorei, chorei, chorei chorei. Chorei porque me questionava porque é que o mundo não me tinha feito normal. Porque é que a pressão da sociedade para entrar na linha me afeta tanto quando sei que sou mesmo feliz é fora da minha zona de conforto e a fazer trinta mil coisas ao mesmo tempo.
Limpei as lágrimas, e fui dizer que não aceitava a proposta. Não tinha ideia do que ia fazer a partir dali, mas queria que fosse algo que me levasse ao desconhecido. Sim, um dia vai acontecer, talvez não desta forma tão "fácil" e quase dada, mas um dia sei que vai acontecer, e eu vou saber, e vou sentir.
Peguei no meu bloquinho de sonhos, e estava lá outro que tinha sido adicionado apenas em Setembro de 2015, e do qual nunca vos falei. Reuni uma equipa de cinco pessoas incríveis, e deixei-me envolver na criação de mais-sarna-para-me-coçar-à-grande-mas-que-me-dá-um-prazer-descomunal-e-que-é-daquelas-coisas-em-que-eu-podia-deixar-todos-os-outros-projectos-que-tenho-só-para-fazer-este-vingar. Nasceu assim mais um bebé na minha vida, um pelo qual senti uma magia que nunca tinha sentido na vida, e que se tudo correr bem vos apresento ainda este mês.
Dezembro foi um mês simplesmente parvo. Enquanto o mundo se preparava para receber o menino Jesus e fazia a árvore de Natal (que nós nem chegámos a montar lá em casa), eu estava em modo edição e pós-produção. Ceguei completamente pelo trabalho. Queria terminar tudo, queria entregar tudo e quando levantava a cabeça estava cansada e queria dormir. Acho que fui das piores companheiras de sempre durante Dezembro. Não tive praticamente vontade de estar com pessoas, e tenho a sorte de ter bons amigos (daqueles que já não se fazem), que me arrastaram para fora de casa no dia de ano novo. Senão, tinha ido dormir à meia-noite.
Meu querido Miguel. Não existem palavras para descrever o pilar que és na minha vida. O quanto equilibras o meu desequilíbrio e o quão maravilhoso és por me ajudares, aturares e rires das minhas parvoíces.
Janeiro amadureceu-me. Embora ainda não me sentisse em 2016 por ter assuntos pendentes do ano anterior, tomei decisões que podem mudar o rumo de tudo.
Larguei o Coworklisboa que tanto me fez crescer e que criou a pessoa que hoje sou, e passei o mês em casa a organizar-me para começar uma nova vida.
Comprei-nos uma viagem para Paris a que demos o nome de Lua de Mel parte 1, e que marcaria as férias que não tínhamos tido no ano anterior, e o começo oficial do ano após o nosso regresso. Até à nossa partida, eu tinha de meter a minha cabeça no sítio.
Uma das minhas madrinhas de casamento que vive em Londres visitou-me e começámos por fazer um de-clutter da nossa casa. Dei e deitei fora tudo o que não fazia falta ou que já não usava há muito tempo. Depois, ela ensinou-me a meditar. Na minha primeira experiência, quando abri os olhos depois daquele tempo de respiração e de equilíbrio, tinha chorado cá para fora todas as dificuldades que se me vão apresentando pelo caminho. Descobri o que queria fazer, e meti os planos em marcha.
Procurei um cantinho para poder trabalhar a que chamasse segunda casa. Ninho, mais concretamente. Comecei a ver locais, e apaixonei-me por um em particular. Ainda não sabia como é que o haveria de pagar, e por isso decidi parar no fim-de-semana para pensar. Sexta, Sábado e Domingo sonhei com aquele espaço. Sonhei com entrada e saída de pessoas felizes, sonhei com a decoração e descobri nos meus sonhos que as coisas só são verdadeiramente boas quando partilhadas. E assim, começou a minha busca pelos parceiros ideias com quem me visse a dividir aquelas paredes tão bonitas. Já tinha sondado as pessoas com quem trabalho como prioridade, mas naquele momento de vida não podiam. Quem, quem, quem? Bastava que uma pessoa entrasse para que eu pudesse dizer que sim, e tinham-me dado até ao final de Janeiro para fechar o acordo. O ideal seria sermos quatro, mas duas já faziam muita magia.
Contactei a Susana. Nós temos histórias muito parecidas. Temos modos de ver a vida muito semelhantes, e há um ano atrás tínhamos inclusive partilhado este sonho uma com a outra. Ela estava a trabalhar em casa, e claro, estava já a bater com a cabeça nas paredes e assim combinei um dia para a trazer a visitar o Ninho. Era Sexta-feira e ela entrou e eu percebi que ela estava a ver o mesmo potencial que eu. Pediu-me para ir para casa pensar e que me dizia algo no dia seguinte, mas eu percebi. Eu percebi que ela também tinha sentido. Sábado esperei agarrada ao telefone. Ela ligou e disse "Ana Luisa, tens uma coworker!". Rimos e festejámos ao telefone (fogo, ela é mesmo a Susana Feliz!). Há muito tempo que não sentia algo assim. O prazer, a alegria, a aventura em que nos estávamos a meter iluminava o meu coração e o meu espírito. Era finalmente o espaço onde todos os meus projectos ganhavam forma fora da minha cabeça e do meu computador, e ia poder partilhar isso com outra das minhas maiores fontes de inspiração. Ora bem, entrar dia 1 de Fevereiro no Ninho. Eu vou de "Lua de Mel" dia 30 de Janeiro. Objectivo: Deixar o Ninho pronto e montado para que a Susana possa entrar dia 1. No Domingo logo depois da decisão dela, peguei no telemóvel, e consegui em cerca de 4, 5 horas encontrar tudo o que precisava para que o espaço estivesse funcional (e bonito, ah, e em segunda mão) a 1 de Fevereiro. Segunda, Terça e Quarta fui buscar todas as coisas que encontrei na internet por essa Lisboa fora (com ajuda do Miguel, da Susana e do namorado), fiz uma ida ao IKEA para material de arrumação de escritório e duas prateleiras, Quinta montei e andámos a ver fechaduras para portas, Sexta veio a internet e o telefone, sempre a editar em cada bocadinho de tempo que me permitia estar ao computador para entregar coisas, e Sábado fui de férias... com o coração cheio de sentimentos de objectivo cumprido, pronta para desligar de trabalho, de emails e para aproveitar tempo com a pessoa que mais amo neste mundo, sabendo que quando voltasse, teria uma vontade louca para pegar em tudo com um novo e reestruturado prazer, sentindo que finalmente estava pronta para enfrentar tudo o que 2016 me trouxesse.


Paris foi... nem vos consigo descrever. Oh, esta parte fica só para nós! :D Mas se alguém encontrar a minha mala que perdi numa noite de bebedeira pela cidade, em que só no dia seguinte às 17h00 é que nos demos conta de que nos faltavam coisas, avisem! hahahaha...
Ontem regressei ao trabalho, e a Cíntia, depois de uma visita ao Ninho, aceitou a proposta de ficar também connosco. Já Andy Warhol dizia: "But I always say, One's company, Two's a crowd, and Three's a party!". O Ninho está com uma energia contagiante. Estamos em pleno coração da cidade de Lisboa. Venho de metro trabalhar e o meu foco agora é o desafio de manter o Ninho feliz e a bombar com a renda sempre paga a tempo e horas.
Os planos para este ano estão a ficar traçados. Não demasiado, porque tem de haver espaço de manobra para surpresas que possam chegar. Já estou de volta à edição, e os projectos estão com feições tão bonitas. Olho para trás... e nem acredito que já palmilhei tanto. Quem eu era há cinco anos atrás e quem sou hoje é alguém que já nem reconheço.
Estar no ponto em que eu estou, e onde está outra malta no mesmo estado de Freelancer/Multipotentialite é quase como ser-se bi-polar. Ou seja, os pontos altos de esperança, alegria e motivação são-nos muito intensos, e levam-nos a um estado de hiperactividade muito grande, a uma euforia sem limites. Quase como se tivéssemos um IV com 40 redbulls e 50 cafés a entrar-nos para a veia diariamente. Mas quando nos vamos abaixo, vamos mesmo ao fundo. Perdemos o norte, não sabemos que rumo tomar, existem uma data de decisões a fazer, desejamos que a vida mude para um estado de rotina como os nossos amigos têm, das 9h às 17h, pensamos "porque é que eu me meti nisto?", ou "o que é que eu estou a fazer?", vêm todos os medos e indecisões ao de cima. Ser um louco é bom e é uma solidão metafórica ao mesmo tempo. Mas assim que tentamos entrar naquilo que é alguma normalidade, aborrecemo-nos, precisamos daquele boost novamente. É quase como uma droga precisar de estar fora da zona de conforto. Pensar em assentar é o que realmente assusta quando a vida só se vive uma vez e só estamos neste planeta algumas dezenas de anos. Esta euforia que sinto hoje é o meu combustível para tentar fazer o meu espírito mais rico e feliz e um dia, espero eu, chegar ao caixão e pensar, foda-se, fiz tudo, caraças. E é quase como que sem querer que sentimos em nós uma necessidade de partilhar isto com o mundo. Porque esta euforia é boa demais para ser só nossa e todos deveriam sentir isto pelo menos uma vez na vida. E tentamos por tudo inspirar e ajudar outros a saírem da caixa. E daí o compassion burnout quando nos esquecemos de carregar também as nossas baterias. O Miguel insiste que eu devia saltar de um avião, porque é isto tudo em alguns segundos. Não fosse o meu medo de alturas e se calhar até me viciava num desporto desses. :) (e um dia, quem sabe).
Sei que já vou atrasada para fazer os objectivos de 2016, mas descobri que só preciso de UM para que tudo o resto funcione. E isso é o bem-estar.
O meu objectivo para este ano é fazer-me feliz, fazer-me bem, saber descansar, tentar não fritar da cachimónia, porque as coisas vão ficar feitas, e vão ser bonitas, e vão ter energias bonitas se eu respeitar este único e simples objectivo. Vamos estar bem, e assim, tudo vai ficar bem.
Olá 2016... fogo, estava a ver que nunca mais começavas.
Love, Lu*

PS: O Miguel acabou por não ser chamado para Angola e está a trabalhar e muito por cá. Foi nomeado para um International Emmy Award com a equipa com quem ele esteve a fazer a Jikulumessu no ano passado. Embora não tenham ganho, não conseguem imaginar o orgulho imenso que tenho nesta pessoa que se deita ao meu lado todos os dias.
PS2: O Ninho ainda agora ganhou vida e vai ser usado para um projecto especial que um dia vos conto o que é. A parte boa é que os dois dias que vamos ter de estar fora para que o projecto aconteça cá nos vão permitir ter alguma liquidez para fazermos uma obra estrutural noutro dos nossos quartos (que não aparece nas fotografias) e a que chamamos de "workroom" só para trabalhos manuais.
PS3: Estou a usar óculos para ler. A sério, corpinho? Eu já sei que vou fazer 30, não precisavas de me presentear com óculos.
PS4: Eu e o Miguel continuamos com planos de ir para fora. Estamos a apontar para final de Outubro de 2016 a Maio de 2017. Pouquinho tempo para já, mas eficiente para ficarmos com o bichinho. Durante essa altura, o Ninho vai continuar a funcionar, mas a minha mesa vai estar disponível para alguém que queira sair de casa e meter o seu projecto em andamento com as outras coworkers felizes que cá estão.
PS5: Ainda faltam os detalhes mais bonitos para o Ninho estar concluído e por isso as fotografias deste post são de telemóvel. A Marta ofereceu-se para nos fotografar aqui assim que ele tiver os quadros nas paredes e tudo o mais. Aí sim, conseguem ver tudo tudo!


I felt a huge nostalgia today while opening the blog to write.
How long has it been? 3 months? It seemed like an eternity really... and actually, I think I kinda forgot how to do this.
So today I finally felt the energy and the right mood to write you my story, and I want to try to make it a short one, but I can't promise you anything. :)
Warning: this will be a  huge mess of feelings. You might find some misspelled words, senseless things, and even some really bad swearing.
Lately I have discovered some concepts that didn't mean anything to me before... until the felt them on my skin. 2015 was an amazing year (good and bad) in everything: In working as a photographer and post-producing, in difficult moments, in planning and organising one of the most special days in our lives, decisions, etc, etc, etc. I've always seen myself as a machine that never stops, and believe me, I'm used to crazy rhythms, and to never resting. "I am here right now, and then I'll be there, editing, and if I do this right, I can still go get I don't even know what and where and be back here in time to still do this and that, and if I only sleep for about three hours it'll be enough, and tomorrow I can repeat everything again". And then life decided, in mid-October last year, to show me the concept of burnout. Not only body / physically, but emotional and compassion burnout. Yes, I found out that there is the concept of compassion burnout, and that we can emotionally shut down by helping others non-stop. By giving all we have for the sake of the happiness of others and not knowing when to turn this energy also to us and, and give ourselves what our bodies need. We shut down. The answer was simple, I had offered my energies without ever stopping a bit to get my batteries to charge.
When we reach the end of the year it is common to start thinking about our next years goals. It's all over. Bloggers posting their years resolutions, people sharing them to friends and family all the time... and at the end of 2015 I had no energy for mine. I couldn't even make room in my head to think about it. I had a huge fog ahead. It had been a hard-working-crazy-difficult-emotional-special-amazing-terrible year... and what now? What did I want? I felt lost and tired and exhausted. I didn't want to help anyone else, and I felt bad about it.
Then I began to see some light at the end of the tunnel on how the year could become. Miguel had the possible opportunity to go back to Angola, and I didn't know if I wanted to go with him or not, I didn't know what I'd do with my projects, and maybe I wanted to stay, but if I did, how boring would my life become without my most special person beside me, telling me everything was going to be okay?
Much of the confusion that I get in my head, or wait, all of the mess that goes on in my head happens  simply and solely in my head. I set goals and I constantly pressure myself. I'm a perfectionist, and I have deep senses of responsibility towards others, that can actually bring me to put everything aside for this sole purpose. I sleep with guilt when there is still work to deliver, I can't rest while my clients haven't told me the work is exactly as they had imagined.
When realised what was going wrong, I opened my notebook of dreams still unfulfilled, and started reading it. Some are dreams I never kept away from you, throughout all these years of Doce para o meu Doce. I've always wanted to open a small pastry shop, or restaurant, I'd love to work abroad for a year or two with Miguel, and I'd love to have my own space for work, where I could bring my clients, and we could share stories, talk about their wedding expectations and what I could do for them as a photographer and videographer.
In November, I decided to open my arms for whatever life had for me. I didn't have the energy yet to start something, so life had to work on it. And out of nowhere, an opportunity comes by. I was offered the possibility of having my own restaurant. Just like that, in a meeting, for a wonderful place, with structural construction included. I had a month to say yes or no, and then I'd had to make the dream come true. I am no ace in the restaurant business. In fact I know nothing about it. I was just a girl with a love for cooking (and eating) and a beautiful dream in my pocket, an idea that had already been accepted. November was a month for decisions. Owning a restaurant was not only a great responsibility as it could also bring the stability that maybe my life needed since 5 years ago. Maybe this could be the chance, since I'm almost 30, to slow down, maybe start our family in a year or two, maybe it could actually bring the financial stability we needed after a few years of hard work. From my experience, it takes around 2 years to get a project to be fully running. And this was such a great thing, how could I say no? My mind floated through the pros and the cons, and then I'd look at the notebook of dreams and I would think that this was not the way it was supposed to happen, not in this order. But it was so good... "C'mon Ana Luisa, you aren't getting any younger, just say yes", "But I really wanted to go abroad first, travel more, and Starling is finally constantly bringing work", "Someday Miguel will ask you to have kids, what are you gonna do? Get them in school by the time they are 15 days old because you are in your thousand projects?"
While my head was on this, I kept on working in post-producing, I produced two institutional videos, and my body was getting tired. I hadn't had real vacation in almost a year, and the Monday right after my wedding I was already with my camera in hands. No stopping, no resting.
Damn it. I'm gonna say yes to the restaurant. Ana Luisa, get your butt out of that chair and go say yes.
I got up, and on my way, I was interrupted by an ex-video teacher of mine. "Hi Ana Luisa! I came by to say goodbye to you!". "Goodbye? What do you mean? Where are you going?" "I'm moving to Thailand. I want to be happy, make ioga, enjoy life doing what I love".
****Boom. Big bada-boom. What-the-fuck-are-you-doing-Ana-Luisa-setling-down-is-not-for-you-yet*** - I thought to myself.
I said goodbye to him, went to the bathroom, and I cried and cried and cried. I cried because I couldn't understand why wasn't I normal. Why would I feel the pressure of society to be in the line when I knew I was only happy outside of my comfort zone, doing gazelions of things at the same time. 
I cleaned my tears and I said no to the offer. I had no idea what I'd do, but if this was meant to be, I'd do it in some different timeline of my life. And when the time comes, I will know.
I grabbed my notebook of dreams, and there was another, actually very recent one I came up with around September 2015 after my wedding, and that I never told you about. I gathered a team of 5 incredible ladies, and I let myself go in another what-the-hell-are-you-doing-you-have-no-time-for-this-but-still-it-looks-like-the-best-idea-you've-ever-had-ah-the-hell-with-it-lets-do-it project.
That's how my newest baby was born and it is something that even in the darkest of times allowed me to see some light at the end of the tunnel. If it goes right, you'll see it sometime this month.
December was just a silly month. While the world was getting ready to welcome baby Jesus, Christmas trees (which we didn't make this year) and new years, I was on editing non-stoping mode. I got completely blind with work and I believe I was the worst companion ever.
I didn't feel like being with people and thank God I have really the best friends in the world who made me get some nice clothes on and go celebrate new years with them, or I'd be in bed by 00h30.
My sweet dearest Miguel. There are no words to describe how important you are in my life. How much balance you bring into my head, and how amazing you are for always being ok with everything, for helping me no matter what and for laughing at my silliness.
January made me more mature. Although I still wasn't feeling like 2016 because I still had pending work, I made decisions that were really important to me.
I left Coworklisboa for a start. This is a place that will always, forever and ever be in my heart. My home and my second parents are in there. It made me grow up, believe in myself, it introduced me to the crazy ones and made me feel like I had a place where I belong. It taught me to understand business, and Fernando and Ana were tireless in helping me like parents do. But I needed to think clearly and spend the month at home organising.
I bought us a trip to Paris, and called it the Honey Moon that we never had - part I -. I had the goal that everything had to be organised to when we came back. And by that time, it had to finally feel like 2016.
One of my maids of honour came from London, and she helped me de-clutter. Throw away and give whatever I didn't need. Make space for new memories, for a simpler happier life. She made me experience the power of meditation, and the first time I did it, I cried, and it was beautiful.
I discovered what I needed, and I started to put my plans on the go.
So then, my quest for a Head Quarters for my project began. Another home where I could go crazy and put all my creativity and ideas out. I needed a nest. I started seeing places and I fell in love with one in particular. I still didn't know what to do in order to pay for it, so I went home to think about it over the weekend. Friday, Saturday and Sunday I dreamt about it. In my dreams I could see happy people coming in and out of it, I dreamt about the decor and I realised that theses things are only good when shared. So on Monday, my quest for the people to share it with began. The people who work with me in my projects couldn't join in, and I had until the end of the month to find the most creative and free spirits to share the same walls as me. The ideal would be 4, but if we were 2 I could make it work. It takes time to create and stabilise the perfect "family".
I contacted Susana. We have very similar stories. We see life in pretty much the same way, and we had actually once, a year ago, shared the idea of having our own places. She was working from home and, of course, was going nuts, and I brought her on a Friday to visit the "nest". When she came in, I could feel it. She was seeing what I was seeing. She said she'd give me an answer the next day, but I could feel it. It was so close that I could almost taste it. I had my phone in my hand for the entire day. She called and said "you got yourself a coworker!". We laughed and celebrated on the phone. I hadn't felt this euphoria in a long time. The pleasure, the joy and the adventure we were getting ourselves into was bringing comfort to my heart. It was finally a place where my projects could come out of my head and computer, and I could share that with someone who is one of my greatest sources of inspiration. So ok, get real. You have less than one week to make this work so that Susana can start on Feb 1st. Honeymoon starts on Jan 30th. On Sunday, after her decision, I went online and in around 4 to 5 hours, I bought everything we needed (second hand, of course). Monday, Tuesday and Wednesday, I went around and about Lisbon, picking up all my second hand purchases and bringing them to the Nest with the help of Miguel, Susana and her partner,  went once to IKEA for office goods and on Friday the internet guys installed everything. In between, I could actually do some work. On Saturday, I left to Paris with a feeling of accomplishment that I can't even explain you. Now that it was all ready for a happy return, I could shut down all emails, FB, Instagram and bla bla bla, and enjoy a delicious honeymoon with the man of my life. What was even more fun, was knowing that when I returned, I wouldn't feel like "oh, damn, now I have to work, ugh", but "OMG, it's going to be SO amazing to go back to work when I come back. I'll have the energy, and the company and the place to start fresh. It will feel like 2016".
Paris was amazing. I can't even describe it. And I want to keep it just for us if you don't mind. 
Yesterday I came back to work, and Cíntia (with whom I share the Giggles project) payed us a visit... and decided she wanted to work with us after all. Andy Warhol used to say this, and I truly believe it: "But I always say, One's company, Two's a crowd, and Three's a party!"
The Nest is blooming with a contagious creative feeling. We are right in the heart of Lisbon, I take the subway to come to work, and now all I want to do is keep it as a healthy space and always make sure rent is payed on time.
My plans for this year are settled... but not too much. I want to leave doors and windows open for surprises. I am back to editing and the projects are looking good. I look back, to 5 years ago and damn... I don't even recognise my other self back there.
Being where I am (and where a lot of other people are), in being a Freelancer/Multipotentialite is kinda like being a bi-polar. Let me explain this to you. The high moments in life, of hope, joy and motivation that we have, are very intense, and take us to an almost kind of hyperactivity feeling, and euphoria with no limits. Almost like as if I had an IV kicking redbulls and coffee into my gains non stop. It's addiction, I know.
But then, when we're down. We really are down. We lose our north, wish that we were like everyone else, envy our friends lives and normal jobs, think "how did I get myself into this", "If I stop I don't get payed", "What am I doing with my life?", and all the indecisions appear. And when we try to get into a routine, life gets just boring. We need that boost. Being out of our comfort zone, in the adventure is like a drug, and what really scares me is settling down, because I'll only live once. This euphoria is the fuel to a rich and happy spirit. And I would like to one day look back, right before I die and be able to say "fuck, you did it Ana Luisa. You lived life like you wanted to". And with this, its almost kind of a feeling of wanting to share it with the world. Everybody should feel this at least once in their lives. Hence the compassion burnout... but I have to put all of this out there. 
Miguel insists that I should go skydiving, cause its all this in a few seconds. If it wasn't for me being afraid of heights maybe I'd be good in it. And maybe one day I will.
I know I'm late for new years resolutions, but I found out I only really need one and that is Well-being.
My goal this year is to take care of me, make me happy, rest. Because in the end, if I respect that, everything else will work. Me and Miguel, the projects, work, family... I just need to respect this ONE goal. If I'm ok, everything will be ok.
Damn 2016, I thought you'd never come.
Love, Lu*


PS: Miguel ended up not going to Angola and is working in Lisbon. He was nominated to an International Emmy Award last year though, with his team from Angola. Although they didn't win, you can't imagine how proud I am of my sweet talented man.
PS2: The Nest is just recently alive and kicking and we have allowed something to happen in it soon, that I can't tell you what it is. The good part is that it will allow us to have the liquidity to do some construction work on another room you can't see in these pics that we call the "workroom" for all our manual projects.
PS3: I'm using reading glasses. Really, body? I know I'm getting older, but reading glasses?
PS4: Me and Miguel are still planning on leaving the country for a while. For now, we are working on October 2016 to May 2017. It's not much but good to get the feeling... and the Nest will still go on. Actually, I might let my desk for someone creative and fun during this time.
PS5: Soon we'll post some beautiful pics of the Nest. Marta said she'd do it for us, with us in them as soon as we got the workroom ready and all the pictures on the walls.

13 comentários:

  1. Bolas... Adorava algo assim... Que feliz estou por ti e pela Susana! Que o Ninho vos traga muitas alegrias e todo o sucesso! :*

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  2. Que gosto voltar a ler-te. Muitos beijinhos e abraços para este 2016!

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  3. Que bom que é ter noticias tuas Ana :)
    Tudo de bom <3

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  4. Ah que este veio lá de dentro! O ninho está cada vez mais lindo, adoro! E hoje mesmo até pensei "quando tiver estes dias de folga levo para lá o computador e os cadernos e faço as minhas coisinhas com a Lu!". hoje tive direito ao carnaval mas também andei a ressacar um pouco do vinho que resolvi beber ontem ao jantar, já não deu para visitas... Trabalhei em casa, claro!
    Que post bom de ler!

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  5. Adorei receber notícias tuas! Quem me dera ter a tua coragem! És sem dúvida uma grande inspiração :) Fico muito feliz por ti e pelo espaço que está lindo! Adoro mesmo :)
    Desejo que tudo corra muito bem e nunca deixes de ser como és e de partilhar isso com os outros, é isso que te torna tão especial.
    Obrigada
    Beijinho

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  6. O ninho está lindo! E fico feliz que esteja tudo bem agora! És definitivamente uma inspiração e desejo-te muita sorte e felicidade em tudo! <3

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  7. Fico tão tão feliz por ti... É estranho sentir-me assim por uma pessoa que não conheço, mas as tuas palavras ressoam tanto comigo que acabo por te sentir quase como uma amiga daquelas com quem não falamos todos os dias mas que vamos acompanhando de longe.. É bom voltar a ler as tuas palavras e sentir essa energia contagiante. Boa sorte, Luisa e um maravilhoso 2016 :)

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  8. Obrigada Ana Luísa! Por nos escreveres sem filtros e de uma forma tão genuína, por criares projetos tão bonitos e continuares a seguir os teus objetivos, apesar de tudo. "Mesmo que os outros parem continua a avançar" :) Obrigada por estares de volta! *

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  9. Que bom :D no meio de por vezes tantas pessoas com má sorte, desanimadas, deprimidas.. é tão bem ler um texto destes.. dá esperança!!

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  10. Que bom que é estares de volta, senti saudades de ler o teu blogue! E que espaço tão bonito que encontraste para te fazer feliz ♥ Muita sorte nesta nova etapa!

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  11. "Larguei o Coworklisboa, que tanto me fez crescer". Isso é coisa que não existe, como sabes. Não se pode "largar" o que também é nosso, o que somos ou aquilo em que nos tornamos. O Coworklisboa não pertence a ninguém, na realidade. É meu, teu e de todos os que por lá passam.
    Beijos,
    FM
    Chief Error Officer do Coworklisboa

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  12. Olá Ana Luisa, Obrigada! Obrigada mesmo!
    Por voltares a escrever no teu blogue!
    Por partilhares a tua felicidade.
    Boa Sorte em tudo!

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  13. beautiful apartment, especially in a beautiful area of the city! I like that there is a lot of space and light

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