You can fucking do this. You've got this.



Ontem revi este vídeo do Baz Luhrmann.
Apaguei as luzes da nossa sala em Londres e deixei-me levar, na esperança de receber dali um boost de motivação que me tirasse da sensação de vazio que tenho sentido nos últimos 3 dias, em que olhar para o computador me dá um aperto no coração.
Tanto para fazer mas forças a zero para começar.
Tentei agarrar-me a ele (ao vídeo) com unhas e dentes, e descobrir o significado daquilo que é estar no meu corpo e ser maluquinha como eu sou.
Descobrir porque é que me submeto a mim mesma a mudanças que me provocam ansiedade, quando a estabilidade e não ansiar por nada de grande impacto me dariam rotina e talvez até uma sensação de segurança de que o dia seguinte e o seguinte e o seguinte, por serem todos iguais, acabariam com a pressão no peito que sinto por vezes ao deitar, ou a apneia que por vezes me acorda de sonhos onde acho que perdi totalmente a cabeça.






Ele teve um efeito feliz em mim, e nomeei-o a partir de ontem, de "âncora", que me relembra que não faz mal querer mais, sonhar mais alto, não ter ideia de como vai ser o futuro, porque o agora é o que interessa.

Este post poderá ser longo... e perdoem a falta de jeito que tenho agora, derivado da falta de prática de cá vir, aliado ao facto de sentir uma culpa imensa pela mesma exacta razão.
Não tinha desculpa para ficar tanto tempo longe do Doce, mas não consegui arranjar forças para escrever.
Hoje estou aqui, a escrever especialmente para mim, em jeito de carta aberta. Pode ser que amanhã ao ler tudo novamente, isto me ajude a levantar mais um bocadinho e a ganhar mais um bocadinho de força... e que no dia seguinte, faça um sorriso maroto como o de alguém que já está novamente preparado para arregaçar as mangas.
Não me arrependo nem um segundo de me ter mudado para Londres, em busca de inspiração, de novas aventuras, de uma vida melhor, de começar a meter em marcha o puzzle que é o nosso desejo de nos tornarmos mais nómadas, mais aqui e ali, e ali e acolá.
Mas há dias em que os fantasmas do medo me assombram, e me apontam o dedo dizendo que eu não sou normal. Que este caminho ainda não está muito desbravado e que me falta uma bengala para me apoiar em histórias de outros que já começaram e que estão a ter um sucesso imenso nisso.
Sim, leio milhares de histórias online, de pessoas que vieram do nada para hoje terem o emprego de sonho a viajar, mas é tudo tão embelezado e mágico... que quando se começa realmente apercebemos-nos os buracos que não foram contados.
Acima de tudo, acho que há em mim um medo que vem do olhar dos outros e do que a sociedade impõe em nós como normal. Parece estúpido, eu sei... porque eu deveria "cagar" no que os outros pensam... mas bolas, é tão mais complexo que isso, se pensar seriamente no assunto.
É claro que quando me sinto forte e confiante não ligo nem um décimo ao que outros possam pensar. Mas o problema é quando nos sentimos mais fracos, a achar que vamos desistir, voltar para casa, fazer o que já estava desbravado e conhecido. Mas seria eu feliz dessa forma? Nunca.
Descobri há cinco anos atrás, quando tudo isto começou, que apesar de me sentir miserável quando assombrada pelo medo, quando supero um desafio, há em mim toda uma euforia que vicia e que me mantém a desejar viver mais por sentir isto. A felicidade de estar a descobrir o MEU caminho.
Mas basta de falar convosco agora... tenho de falar um bocadinho comigo. :)
Espero daqui a um ano voltar a ler este texto e sorrir pela força que fui buscar (espero que) a mim mesma, para superar mais uma aventura e desafio.
Aqui vou eu:

Esta é a hora, Ana Luisa, de aproveitares o poder e a beleza da idade que tens. O mundo de possibilidades que se desdobram à tua frente, e o quão bonita tu és. Não, não estás tão gorda como te vês, sim, o cabelo curto também te fica bem. Pára de olhar para revistas com mulheres vistosas e esqueléticas. Elas existem para te fazerem infeliz.

Faz por não pensar tanto no futuro que está mais longe, na conta poupança que ainda não fizeste, nas posses que não tens. A ansiedade que isso te vai trazer vão cegar-te para o caminho que estás a traçar agora. Vão fazer com que não consigas dormir à noite.
Pensa antes que o medo que isso te pode trazer tem de ser canalizado para não parares de tentar, para procurares em ti a força para fazeres agora o que depois te poderá trazer frutos, mas diverte-te pelo caminho. Procura, mantém-te curiosa, desbrava, tenta, pede, faz.

Não percas tempo com quem não respeita o teu coração ou os teus sonhos. Perdoa aquelas pessoas que te fizeram triste ou traíram de alguma forma. Pára de fazer com que isso te afecte. Não percas tempo com ódio, transforma-o em amor.
Tira as pessoas tóxicas do teu círculo de confiança como fizeste há 5 anos atrás. Não penses neles nem no que te dizem, porque só te fazem recear e não confiar em ti. Livra-te de sugadores de energias, e guarda junto ao peito apenas aqueles que te querem bem por amor a ti, e não porque lhes dás jeito ter por perto.
"The race is long and in the end, it's only with yourself" (A corrida é longa, e no final, és o teu único adversário).

Exercita-te mais, dança, espreguiça-te todos os dias, come bem, e não te sintas culpada quando estás um pouco perdida com a tua vida.
Algumas das pessoas mais interessantes que conheces têm 40 anos e ainda não sabem o que querem ser quando forem grandes.
E se isso não te der alento, pensa em todas aquelas que só começaram a ter sucesso mais tarde, como a Vera Wang, e sabe, Ana Luisa, que nunca é tarde para continuares a querer ser mais por ti.

"Be careful whose advice you buy, but be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia" (Tem cuidado com os conselhos que compras, mas sê paciente com quem tos dá. Conselhos são uma forma de nostalgia), de saber que certo caminho já percorrido tem uma determinada forma, mas por vezes não o seguir também significa pintar por cima uma camada de cor que te faz feliz, re-escrever as coisas, aprender contigo mesma e reciclar a vida para algo que te torna mais completa e fiel a ti.
É muito, muito muito difícil, mas vale tão e tão e tão a pena. Mesmo que não corra bem, é sempre uma lição, nunca um falhanço.

Agarra em todo o teu percurso, refaz a fórmula que funciona, deita fora tudo o que aprendeste que não funciona, começa de novo, por ti.

Toma mais conta de ti, passa tempo contigo mesma, a ler, ou a olhares para os teus dedos dos pés. Aprende a gostar deles... podem ser feios, mas ajudam-te tanto!

Lê posts antigos, aprende novamente contigo mesma, inspira-te com o que já escreveste no passado, medita, pensa nos teus próximos passos, mas não demasiado. Por vezes as respostas e a sorte estão do outro lado da porta e se estiveres de olhos fechados a oportunidade passa-te ao lado.

Sorri como sempre sorriste, sê um bom ser humano, acredita no karma.

Aproveita a cidade que escolheste para agora chamares casa. Ela tem tanto para te ensinar. Faz amigos, mexe os teus cordelinhos para aqueles projectos que só tu sabes o quanto gostas de fazer, mesmo quando dão tanto trabalho que não dormes uma semana.

Acorda. Agora.
O salto de fé foi dado. Recupera e prepara-te para o próximo round.
Sim podes cair, mas e se voares?

Love, Lu*

***

Yesterday, I saw this video by Baz Luhrmann again.
I shut down the lights of our living room in London, and let myself go, in the hopes of getting a boost of confidence of some kind from it that would take away this feeling of emptiness and home sickness I've been feeling for the past 3 days. 
Looking at my computer brings me heart ache.
I have so much to do, but zero will to start.

So I stared at the video with all my strengths and tried to find in it the meaning of what it is to be in my body, and be crazy as I am.
I tried to find out why do I always seem to do these things to myself, cause myself anxiety from all the changes, when stability and not longing for anything of great impact would bring me routine and even a sense of security, because the next day, and the next one would be all the same... which would end the pressure I feel in my chest, and the apnea that wakes me up from dreams where I feel like I might have totally lost my mind.

It did had a happy effect in me, and I now officially call it my "anchor", that reminds me it is ok to want more, to dream higher. That it is ok to not know how the future will be, because what matters is today.

This post might turn out to be long, I need to tell ya... and please forgive me if I seem to have lost my touch in blogging. It is strictly connected to the fact that I feel a tremendous guilt for being away for so long. I had no excuse, except for the fact that I really didn't have the strengths.

And excuse me again, but today I need to write for myself, in a kind of open letter style. I hope that once I read it all again tomorrow, it will help me get up with another face... and that the next day, it will make me become even stronger, and that in the close future, it might bring that naughty face I do when I am ready to conquer the world.
I do not regret a single second of my decision to move to London in the search of inspiration, new adventures, a better life... I do not regret this first part of the puzzle that is our wish to start becoming more nomadic, more here, and there.
But there are days where the ghosts of fear come down to haunt me, and point their fingers at me and say that I am not normal.
There are days where I feel like I don't have a known safe story or example to hold on to when making my journey. Yes I read thousands of them online, but still, when you start living it, you realise those stories still have gaps that only apply to you.
Above all, I think there is also the fear of what others think, expect, or want to happen to you. I know it is awfully stupid, but I feel the pressure of society... in its complexity.
Of course I don't think about in on those days when I am all strong and confident. The problem is those days when we feel weak and want to give up, feel homesick, do what we know was safe. 
But would I ever be happy like that? NEVER.
I found out 5 years ago, when this all started, that even though I might feel miserable and haunted by fear, when the challenge is overcome, there is this addictive euphoria that comes with it... that makes me feel alive. That longs for more... that happiness of figuring out my own way.
But enough of talking to you today :)
The following text is for myself, and in the hopes that reading it in a year, I will look back and smile at another milestone I've overcome.
Here I go:

It is time, Ana Luisa, for you to "enjoy the power and beauty of your youth". 
The possibilities that lay before you, and how pretty you actually are. No, "you are not as fat as you see yourself", and your hair looks good. "Don't read beauty magazines, they will make you feel ugly".

Try not to think too much about the future that is far away. The savings account you haven't started, the things you do not own. The anxiety that will bring you will blind you on the way you are trying to discover. And it will bring you sleepless nights.
Instead, channel that fear to never stop trying, and find in yourself the strength that might bring you profit in the future... but have fun along the way. Search, stay curious, try, ask, do.

"Don't put up with people who are reckless with your heart" and who don't respect your dreams. Forgive those who made you sad or betrayed you in some way. Stop letting that affect you. "Don't waste time on hate", transform it in love.
Take the toxic people out of your circle like you so well did 5 years ago. Don't think about them, or what they say, because they make you not trust yourself or your skills. Get rid of the energy vampires, and keep close to your heart only the ones who love you, not the ones who want you closed because you can come in handy. 
"The race is long and in the end, it's only with yourself" 

Exercise more, dance, stretch everyday, eat well and don't feel guilty when lost.
"The most interesting people I know didn't know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40-year-olds still don't".
And if that is not enough, think of all of those who only had their epiphanies late, like Vera Wang, and know that it is never late to want to do more and be more for yourself.

"Be careful whose advice you buy, but be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia", of knowing the ways that have already been discovered and how they might work... but sometimes, painting on top of them with a happy color, re-writing, learning from yourself and recycling life will only make you respect yourself more, and make you more complete. 
It is very very very very hard, but so so so so worth it. 
Even if it doesn't go well. It is always a lesson and never a failure.

Pick up all you've done so far, re-do the formula that works, throw away the bits that don't.

Take better care of yourself. 
Spend more time with yourself... reading, or looking at your toes. Learn how to like them. Even being slightly ugly, they do so much for you!

Read old posts, inspire yourself with what you've already done, mediate, think of your next steps... but not too much, or you might miss opportunities that randomly fly around you.

Smile as always, be a kind human being, believe in karma.

Enjoy the new city you've chosen to call home, it has so much to show you and teach you. 
Make friends, do those crazy projects only you can... even when they keep you awake.

Wake up. Now.
The leap of faith has ben done. The hardest part of this puzzle as been overcome. Recover, and go on.
Yes, you might fall, but what if you fly?

Love, Lu*

6 comentários:

  1. Tão bom, doce para o meu doce de volta! <3

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  2. Que bom de volta! Conta-nos tudo sobre essa nova aventura! :)

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  3. Meu amor, deixo-te um blog que fala sobre muita coisa de forma honesta http://www.felizcomavida.com/
    E lembra-te que o caminho mais difícil é o que ainda não foi desbravado. Há sempre um Adamastor ao virar do cabo. Tu escolhes se é o das Tormentas ou o da Boa Esperança!

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  4. Obrigada por isto Ana. Tu sabes que és capaz de voar.

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  5. I share your way of thinking, I guess we should not worry about something that is not important!

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