Why I have decided to move, the troubles it brings to my mind, and how I try to overcome them.


"O que é que te levou a deixares tudo em Portugal e tentares a tua vida em Londres?”
Foi assim que há duas semanas começou uma conversa Skype com alguém por quem tenho um grande carinho.
Descobri que esta pergunta muitas vezes vem de pessoas que querem mudar radicalmente algum aspecto do seu dia-a-dia, mas que procuram uma razão forte o suficiente que as ajude a mandar tudo às couves de uma só vez... 
Mas a mudança é sempre algo difícil. 
Eu não vos posso nem quero convencer neste sentido. Até porque acho que sou sempre demasiado impulsiva nas minhas decisões e não o aconselho a ninguém. 
Não venho aqui hoje dizer-vos que sei a total resposta a esta pergunta... mas posso tentar explicar-vos como funciona este meu cérebro disfuncional (perdoem a redundância) que me leva a dar estes pulos malucos, as consequências que vêm daí, e como tento trazer luz aos dias em que me sinto em baixo com a minha decisão.
Acima de tudo, este texto é sobre fazer o que o coração manda.


Olá Londres.

Mudança: dar outra direcção, desviar, transformar.
Se a mudança fosse fácil, teria um nome mais simpático, acho eu. Não sei porquê, não gosto da sonoridade da palavra mudança. Mmuuuudaaaannnnçççaaaa. Nah, não me soa bem. Tal como não gosto da sonoridade da palavra "esboço" ou "paxaxa" (hahaha, desculpem).

A mudança significa partir para outro caminho que não é aquele a que nos habituámos. Experimentar algo novo e esperar que o resultado seja positivo.
E o que nos leva a mudar nem sempre vem de estarmos mal. Por vezes pode acontecer porque simplesmente é o que nos faz sentido, cá dentro, numa gaveta qualquer da nossa cabeça. Eu tinha uma boa vida em Lisboa, com uma casa bonita, carro, com família e amigos por perto.
Ainda não sei se a mudança para cá foi boa ou má. É cedo para perceber, mas escolhi assim. E prefiro isso. Porque me faz dormir melhor.

Foram muitos os factores que me levaram a vir para cá, mas acho que os mais fortes de todos partem de algo que simplesmente não consigo controlar.

Eu queria realmente uma mudança na minha vida, e queria mais inspiração para criar. Queria saber também como seria trabalhar noutro país... E eu sonho com o ter uma vida mais nomádica (mas isso fica para outro post). Essencialmente, quando chego a um ponto onde estou confortável e conheço as coisas, o meu cérebro quer mudar, quebrar com a rotina.

Para mim, e não querendo insinuar uma de chica esperta, o equilíbrio e a estabilidade andam de mãos dadas, e dão pontapés na minha motivação, criatividade e expressão artística. 
No meu equilíbrio e estabilidade deixa de haver espaço para a novidade, deixa de haver espaço para curiosidade, deixa de haver criação. Eles trazem-me rotina, trazem-me mais do mesmo… e raios partam se me fico no mais do mesmo, por mais bonito que ele seja.

NOTA Importante: Mudar de país para fugir de um problema não é razão forte o suficiente para sair do país. Porque para onde quer que vão, o problema segue-vos. E como bónus, depois ainda fica mais chato de resolver à distância. Se é para mudar, é para começar algo fresco, com tudo o que está para trás arrumado. Não para trazer o passado mau para o novo presente.


As consequências de uma mudança assim

Para sair de Lisboa e conseguir atingir esta nova peça do meu puzzle, tive de entrar num piloto automático de nevoeiro mental onde tentei ao máximo não pensar muito nas consequências. Porque se me metesse a pensar no conforto que tinha, na família, naqueles pores-do-sol com os amigos à beira-rio a beber uma cerveja, nas tardes no Miradouro da Nossa Senhora do Monte, no dinheiro que ia custar (e está a custar) a chegar, bolas, nunca teria saído de casa! Porque lá era bom. Então teria ficado sempre na melancolia, entre as coisas boas de estar em casa e confortável no meu meio e entre a vontade que sempre tive em conhecer o que está para além disso.
Quando me deitei pela primeira vez aqui nesta cama que temos em Londres suspirei e pensei "pronto, já está".
Não havia volta a dar agora... pelo menos durante uns tempos!

Por vezes até gostava de ter uma vida mais estável, confesso... de saber parar e trabalhar no que já tenho, usufruir do conforto que uma vida um bocadinho mais tranquila pode trazer. Mas os meus fusíveis estão ligados de uma forma estranha e eu sei que isto causa alguma ansiedade em quem gosta de mim (obviamente estou a falar dos meus pais).

Sair implica não só largarmos o que temos e conhecemos, mas implica também aprendermos a lidar com expectativas que outros têm em relação a nós. A pressão dos nossos pares. Ninguém o faz por mal. Na verdade, mais uma vez descubro que esta pressão que sinto de "ter de vingar" vem de amor. Vem de vontade que tudo corra bem, vontade de que muito rápido as coisas comecem a encarrilar e que tenhamos sucesso rápido para que rapidamente encontremos estabilidade. Sim, a repetição da palavra "rápido" está mesmo aqui tantas vezes de propósito. Quem nos ama quer que rapidamente as coisas estabilizem, para poderem também eles relaxar e não estar em constante preocupação.

Mas as coisas na vida real não acontecem assim tão rápido, pois não? E por vezes nem depende de nós quando já estamos a fazer tanto. :)
Tudo leva o seu tempo. E é tão importante também saber esperar. 

Mais vezes do que quero perco-me a tentar fazer com que tudo se resolva rápido para poder começar a descansar quem me está a ver à distância, e se as coisas não acontecem no timming que desenhei, provoco em mim uma ansiedade tal, que coloco tudo em causa. E eu conheço bem aquela sensação de que não somos bons o suficiente. Ou questões como "será que fiz a escolha certa?", "Ou será que tenho o que é preciso?".
Depois misturo isso com o nosso código genético Português e chegam as saudades, misturado com alguns pozinhos de prelim-pim-pim de outros assuntos que ficaram em stand by com a mudança (como a minha querida Sweet Rebel Bride, mas isso é material para outro post), ou a falta que me faz o Miguel que tem estado na Índia a aprender yoga, e puff! 
Oh, sim... Eu tenho dias em que sou uma confusão emocional, em que tudo me aperta o coração.


Respirar fundo, e lidar com a vida.

Eu não tenho a solução perfeita para nada. Tenho pequenos truques que funcionam comigo.
Posso passar-vos tudo o que sei, mas cada situação é uma situação. Assim como cada vida é diferente.

Há dois Domingos descobri que expressar-me emocionalmente através da fotografia fora do ambiente de trabalho me traz um grande prazer. E que na verdade me afasta dos problemas, porque estou entretida a criar.

Ao vir de uma tarde de sol no parque de Crystal Palace (e onde me sentia mesmo muito em baixo), pedi a um vizinho para me deixar cortar algumas flores de uma árvore que está no jardim dele (na verdade eu já as ia cortar de qualquer maneira, mas quando o vi no jardim ganhei coragem e pedi e ele foi incrivelmente impecável e até insistiu que tirasse mais. Lição aprendida).

Cheguei a casa e decidi fazer uma colecção de auto-retratos que deitassem cá para fora a vulnerabilidade do que estava a passar, e das primeiras às últimas fotos, já na relva atrás do meu prédio, notei a evolução do caos para a calma. 






Quando terminei estava tão orgulhosa do que tinha criado! Melhor ainda, ao postar estas fotografias no instagram fui encontrada por duas potenciais clientes de Londres que me pediram orçamentos para trabalhos. E isto tudo aconteceu porque houve uma mudança, e acima de tudo porque aprendi a deixar que a tristeza chegasse e se instalasse. E porque ao dar-lhe tempo, deixei que ela me levasse a usar o que do caos pode ser arte.
Posso até não conseguir nenhum dos trabalhos que orçamentei... mas houve algo de bom que saiu daqui. E isso dá-me energia e motivação para fazer mais, e para continuar. 


Bocadinhos de aprendizagem...

  • Não faz mal sentirmo-nos tristes. Devemos até abraçar essas emoções e não enxotar, porque depois podem mesmo regressar com o dobro do tamanho;
  • Devemos ouvir o que os nossos pares têm para nos dizer, mas TEMOS de filtrar a informação, pela nossa sanidade mental;
  • Depois de fazermos tudo o que está ao nosso alcance, também temos de saber deixar o tempo fazer a sua parte.
Enquanto isto tudo acontece...
  • Cuidarmos de nós é a melhor cura... 
  • Apanhar sol (e tem feito muito sol aqui!)
  • Expressarmos a nossa tristeza ou insegurança de uma forma que nos faça felizes. Quer seja através da arte, ou a ler um livro, a fazer um Skype com o marido, ou a receber uma amiga em Londres.

Aaaah...

Não sei se ajudei de alguma forma a responder à questão com este post. Não sei se esclareci quem me pergunta porque é que me mudei...
Mas estou a tentar aqui. E estou feliz com isso. E em paz comigo.

Estou a crescer em situações e tópicos que nunca pensei serem possíveis de ultrapassar, e estou grata por estar a fazer o meu melhor.

Quero aprender a não andar mais rápido ou menos rápido para que outros descansem as suas expectativas em relação a mim e ao que gostariam que eu fosse. Quero aprender a ir à minha velocidade, saborear cada bocadinho do caminho... porque só assim é que se dá valor às grandes e às pequenas coisas.

Porque no final do dia, se o dinheiro não fosse importante, o que é que eu gostaria de fazer da minha vida?
Estou à procura... constantemente.


Até já. 
Love, Lu*

***

"What made you leave Portugal and try your luck in London?"

This is how a Skype call with someone I truly care for started two weeks ago.
As I move on in this new city, I find myself being asked this question very often, and I have also come to realise that most times it comes from friends who also want to change something dramatically in their lives, but need the right trigger to throw everything away.
But changing is always so hard.
I am not here to convince you to move to another country... Specially because I know myself and I always kinda do things on an impulse, and that is NOT the right way to do things.
I am not here with the full answer to that question, but I can bring you the feelings that led me to do it... How this weird brain of mine works, making me do things like changing countries, the consequences that a decision like this brings, and how I try to overcome the hardest times...
Above all, this text is about following one's heart.


Hi London.

Change: To follow another route, deviate, transform.
If changing was easy, it would maybe have a nicer name, I think. Like chocolate. "I chocolated countries!" hahaha!

Change means following a different path that isn't the one we are normally used to. Trying something new and hoping for the best.
And what leads us to change doesn't have to come from bad reasons. I was very ok in Lisbon. I had my beautiful home, a car, I was near my friends and family.
I still don't know if moving to London was a good or bad idea, it is soon to know... but it's what my heart told me to do. And I am happy I followed it. Makes me sleep better at night.

There were loads of factors that make me pursue a different lifestyle over here, but the ones that really mattered for this big change are actually those that I can't quite control.


I really wanted a big change, and I needed more inspiration to create. I also wanted to know how it feels to fully work in another country, and I dream of becoming more and more nomadic every year (but that is content for another full post). Essentially, every time I reach a point where I am comfortable, where I know my surroundings... my brain wants to change and break with the habits.


In my head, it's like balance and stability hold hands, and together they kick me in my motivation, creative expression and on my artsy side.
In my perfect balance and stability, there is no space for what is new, I lose my curious side, I feel like I don't want to create. They bring me routine, more of the same... and "hell no" if I'll ever stick to more of the same, even if it is bloody good or pretty.

Side note: Moving to another country to run away from a problem is never the answer. Because wherever you go, there you are. Added bonus: You'll be taking care of problems from a distance, and that is such a pain in the butt.


The consequences that come with such a big change/chocolate (ha!)

To be able to move from Lisbon and reach this new piece in my life puzzle, I had to kinda go on automatic pilot and try not to think much of the consequences. Because if I started to think about my comfort at home, about my family, about those amazing sunsets with friends while drinking a beer, or the afternoons at the Miradouro da Graça, or the income that would be harder to get at first (so real), damn, I would have never left! Because it felt really great at home, but then I would always stay in that state of melancholia between what I already knew and the "what ifs".
When we laid in bed for the first time in London I took a deep breath and thought, "ok, OMG, it is DONE". There was no going back, at least for a while.

I confess that sometimes I'd like to have a more stable life... knowing when to stop and specialise, enjoy the comfort that a more routined life can bring. But I am wired in a different way, I would never be happy like that, and I know I cause anxiety in those who love me more times than I'd like to (I am talking about my parents, of course).

Leaving means not only disconnecting in a way to what we had before, learning new things and ways of life, but also learning that you now have to deal with others expectations towards you and how you otta be doing stuff. That is called peer pressure. And most people don't do it out of evil. More and more I've come to discover that "having to succeed" comes out of love. Comes from the fact that those who love you want you to very fast find that stability so that you can very soon have the balance your life should have. And the word "fast" and "soon" really come together in these situations. Because the fastest you reach a comfortable point, the fastest those who love you can relax about you.

But things don't really move that fast in real life... and sometimes it really doesn't depend on us. And it then brings pressure on us, because our brain starts telling us that that is the way things should be going. And then you get obsessed with the idea that you should be so much better and in a higher position than you are now. So why are you starting fresh? Are you even good enough? Because if you were, you wouldn't need to be counting your money again, or starting fresh from zero somewhere else.... AAAAAAAAAAAAAARRRGGHH! The pressure and stress and anxiety peer pressure provoques on us. It's just so terrible.
And everything takes its time, really, and it's so important to learn to just wait when you've been doing everything you can.

My head floats in these thoughts many many times. When I know it shouldn't. It's already such a big step, that now things need their time to happen, and what one can do is work hard and wait. But oh... then, mix that with the Portuguese genetics/culture. Mix that with being homesick or other things that aren't yet rolling, like my dear Sweet Rebel Bride that went on a break (subject for another post in the near future, but we are NOT DEAD), or the fact that I miss Miguel who is on a trip to India, and BOOM!
Yes, I have days where I feel like I don't want to get out of bed.


Breathe deep, and learn your lessons in life!

I don't have the right solution for anything, but I do have small tricks that help me when I need...

Two weeks ago I found out that expressing myself through art outside of work does wonders to my head... and that really letting the lack of stability and balance scream in their caos helps me create.

I was having one of those days where I woke up angry, and after an afternoon laying in the park in Crystal Palace, I decided I was going to take some flowers from my neighbour and see what I could do with them. First of all, big lesson learned: I was going to just take those flowers, but I decided to ask first, and he was so kind that he even insisted I took more.

At home, I started a series of self-portraits that illustrated how I felt. From anger to vulnerability, all the way to being calm by the end, when my flatmate Lauren helped with those last ones in the back garden (see photos above!).

When I finished editing, I was SO proud of what I had created! And happy!
Even better: after posting two on instagram, I received two emails from potential clients, who were interested in working with me. And it all happened because I followed my heart, and did the crazy thing that is to change and move away from my comfort zone. Allowing caos to be transformed into art.
It is possible that those two jobs won't even come through, but there was something good coming out of it, and that gives me that inspiration and motivation I was searching for!


Little big things I have learned...

  • It is ok to feel sad. One should actually embrace those emotions that come from peer pressure, feeling homesick or just panicking about life in general.
  • Yes, learn how to listen to what your peers have to say (it's polite too), but learning how to filter it is essential for your mental health.
  • After doing everything you can, also learn to let time do its part. And don't feel bad about it.
And while all of that happens....
  • Learning how to take care of ourselves is the best healing treatment,
  • Enjoying the sun (and YES, we have been having the loveliest of days!)
  • Expressing our sadness in a way that comforts us is key. Through art, reading books, skyping with our loved ones or having coffee with a friend... it doesn't matter. What matters is that it helps you, whatever it is.

Aaaah...

I don't know if this helped answering your question in any way... but I am trying something here, on this side, and I am at peace with my decision.

I found out that I am growing in topics I never knew existed, and I am grateful for knowing I am doing my best.

I will try now to learn not to move faster because of peer pressure. I need to go at my own speed, and savour each bit, so that it teaches me to value my journey, and to appreciate the little things too.

If by the end of the day money didn't matter, what would I like to do with my life? I am still on my quest, everyday!

Watch: What If Money Was No Object ~ Alan Watts from Edgar Alves on Vimeo

Talk to you soon!
Love, Lu*

1 comentário:

  1. Luisa, tu és mais do "bom o suficiente". Tu és espetacular e uma inspiração para mim. Quando fotografo, penso muito em ti. És maravilhosa e mereces tudo de bom. Espero que tenhas muito sucesso e que todos os teus sonhos se realizem, seja aqui em Portugal, em Londres, ou um bocadinho por todo o mundo. Sê muito feliz!

    ResponderEliminar